A notícia sobre o brasileiro Hugo Farias, que completou 366 maratonas consecutivas em 2023, despertou a curiosidade sobre os limites do corpo humano. O feito levanta uma questão central: o que acontece com o coração de um atleta, principalmente maratonistas, submetido a um esforço tão extremo e contínuo? A resposta está nas adaptações que o órgão desenvolve para lidar com a alta demanda.
O coração é um músculo e, como qualquer outro, se fortalece com o exercício. Em atletas de endurance, como maratonistas, ocorre um fenômeno conhecido como “coração de atleta“. O órgão aumenta de tamanho, principalmente o ventrículo esquerdo, que é responsável por bombear o sangue oxigenado para todo o corpo.
Essa adaptação permite que o coração bombeie um volume maior de sangue a cada batida. Com isso, ele se torna mais eficiente e não precisa bater tantas vezes para suprir a necessidade do organismo, resultando em uma frequência cardíaca de repouso mais baixa, um sinal clássico de bom condicionamento físico.
Quando o esforço se torna um risco
O treinamento excessivo, contudo, pode levar o coração ao seu limite. O estresse constante e a falta de recuperação adequada podem gerar um processo inflamatório. Em casos extremos, essa condição pode levar à formação de pequenas cicatrizes no músculo cardíaco, um quadro conhecido como fibrose miocárdica.
Essa fibrose pode aumentar o risco de arritmias cardíacas, que são alterações no ritmo normal dos batimentos. Embora a adaptação do coração seja um processo natural e benéfico, o exagero pode transformar o benefício em um fator de risco, exigindo monitoramento constante.
Sinais de alerta para o corpo
O acompanhamento médico é fundamental para qualquer atleta, mas alguns sinais do corpo nunca devem ser ignorados. Eles indicam que o sistema cardiovascular pode estar sobrecarregado. Ficar atento a esses sintomas é crucial para evitar complicações graves.
- Fadiga persistente que não melhora com o descanso.
- Dor ou desconforto no peito durante ou após a atividade física.
- Palpitações, ou a sensação de que o coração está “pulando” batidas.
- Tontura ou episódios de desmaio, especialmente durante o esforço.
- Queda acentuada e inexplicável no desempenho esportivo.









