O Brasil enfrenta um novo alerta de saúde pública com a circulação do sorotipo 3 da dengue (DENV-3) após mais de 15 anos sem registros de epidemias causadas por ele (a última reintrodução ocorreu em 2008). A principal preocupação é que a maior parte da população brasileira não tem imunidade contra essa variante específica do vírus, o que cria um cenário ideal para uma ampla disseminação da doença nos próximos meses.
O vírus da dengue possui quatro sorotipos diferentes: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Quando uma pessoa é infectada por um deles, desenvolve imunidade permanente para aquele sorotipo, mas continua vulnerável aos outros três. A circulação do DENV-3 representa um risco elevado de epidemias de grande porte, atingindo quem nunca teve contato com o vírus e também quem já teve outros tipos de dengue.
Quais são os riscos da Dengue tipo 3?
O maior perigo associado à reintrodução do sorotipo 3 está no risco aumentado de casos graves. Uma segunda infecção por um sorotipo diferente da dengue aumenta significativamente a chance de desenvolver a forma hemorrágica da doença, que pode ser fatal. Como milhões de brasileiros já foram infectados pelos sorotipos 1 e 2 nas últimas décadas, uma nova onda causada pelo DENV-3 pode sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde.
A falta de “memória imunológica” da população contra o DENV-3 significa que o vírus encontra um campo fértil para se espalhar rapidamente, especialmente em áreas com alta infestação do mosquito Aedes aegypti.
Sintomas: há diferença para outros tipos de Dengue?
Não. Os sintomas da dengue tipo 3 são os mesmos dos outros sorotipos e geralmente aparecem de forma súbita. É fundamental ficar atento aos sinais para buscar ajuda médica o mais rápido possível. Os principais sintomas incluem:
- Febre alta, acima de 38°C;
- Dor de cabeça intensa e dor atrás dos olhos;
- Dores musculares e nas articulações;
- Manchas vermelhas na pele;
- Falta de apetite, náuseas e vômitos.
Sinais de alarme, como dor abdominal forte e contínua, vômitos persistentes e sangramentos no nariz ou gengiva, indicam uma possível evolução para um quadro grave e exigem atendimento médico de emergência.
A vacina atual protege contra o sorotipo 3?
Sim. A vacina contra a dengue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), a Qdenga, é tetravalente. Isso significa que ela foi desenvolvida para oferecer proteção contra os quatro sorotipos conhecidos do vírus, incluindo o DENV-3. No entanto, a eficácia varia entre os sorotipos: 95,15% contra o DENV-2, 69,8% contra o DENV-1 e 48,9% contra o DENV-3. Ainda assim, a imunização é uma ferramenta importante para reduzir o número de casos e, principalmente, as formas graves da doença.
No entanto, a vacinação ainda está restrita a públicos específicos e a cobertura vacinal no país é baixa. Por isso, as medidas de prevenção continuam sendo essenciais, como eliminar focos de água parada, usar telas em janelas e portas e aplicar repelente. Essas ações coletivas são a principal forma de combate ao mosquito transmissor e de proteção contra todos os sorotipos da dengue.










