Desde o início de seu terceiro mandato, em janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem priorizado uma intensa agenda internacional com o objetivo claro de reposicionar o Brasil como um ator relevante no cenário global. A estratégia rompe com o isolamento diplomático do governo anterior e aposta na reconstrução de pontes com antigos e novos parceiros.
A diplomacia brasileira atual se apoia em uma abordagem pragmática, buscando dialogar com diferentes blocos de poder sem alinhamentos automáticos. As viagens presidenciais e ministeriais se multiplicaram, abrangendo desde potências como Estados Unidos e China até encontros estratégicos na Europa, América Latina e África.
O foco é retomar o protagonismo em fóruns multilaterais, como a ONU, o G20 e os BRICS. O governo busca apresentar o Brasil não apenas como uma potência regional, mas também como uma voz ativa e mediadora em grandes debates globais, incluindo discussões sobre paz, segurança e desenvolvimento sustentável.
Os pilares da nova diplomacia brasileira
A política externa se sustenta em três eixos principais. O primeiro é a pauta ambiental, com a Amazônia no centro das atenções. O compromisso com o combate ao desmatamento e a transição energética serve como um importante trunfo para atrair investimentos e fortalecer a imagem do país, especialmente junto às nações europeias, culminando na escolha de Belém (PA) para sediar a COP30 em 2025.
O segundo pilar é a reaproximação com os vizinhos sul-americanos e o fortalecimento das relações Sul-Sul. A reativação da participação brasileira em mecanismos como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e o incentivo à integração regional demonstram essa prioridade. O objetivo é consolidar a liderança do Brasil na América do Sul e em outros fóruns, como os BRICS, cuja presidência o país assumiu em 2025.
Por fim, o terceiro eixo é a busca por um papel de mediador em conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia. Embora a posição brasileira gere debates, ela reforça a intenção do país de atuar como um poder independente e com capacidade de diálogo entre as nações. A iniciativa de criar um “clube da paz” ilustra essa ambição diplomática.
O desafio do Itamaraty é transformar essa agenda ativa em resultados concretos, como a ampliação de acordos comerciais e a atração de capital estrangeiro. Um momento crucial para consolidar essa nova fase da política externa foi a presidência brasileira do G20, que culminou com a cúpula de líderes no Rio de Janeiro, em novembro de 2024. O evento foi marcado pelo lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, reforçando a projeção internacional do país.








