A notícia de um asteroide passando “raspando” pela Terra sempre gera curiosidade e um certo receio. Agências espaciais, como a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA), mantêm um monitoramento constante de milhares desses objetos. A boa notícia é que, para os próximos 100 anos, nenhum asteroide conhecido representa uma ameaça significativa de colisão com nosso planeta.
Essa vigilância é feita por uma rede global de telescópios que rastreia os chamados Objetos Próximos da Terra (NEOs), com projetos como o Observatório Vera C. Rubin acelerando a descoberta de novos corpos celestes. Atualmente, dezenas de milhares deles já foram catalogados. Sistemas automatizados, como o Sentry-II da NASA, calculam continuamente as órbitas desses objetos para prever qualquer risco de impacto futuro.
Um asteroide só é classificado como “potencialmente perigoso” (PHA) se tiver mais de 140 metros de diâmetro e sua órbita o trouxer a menos de 7,5 milhões de quilômetros da Terra. É importante notar que essa é uma classificação técnica de vigilância e não significa uma ameaça iminente. Um bom exemplo é o asteroide Apophis, que fará uma passagem próxima e segura em 2029, permitindo estudos detalhados sem oferecer risco ao planeta.
Qual o tamanho do estrago?
O risco real de um impacto depende diretamente do tamanho do objeto. A grande maioria das rochas espaciais que entram na nossa atmosfera é pequena e se desintegra completamente, gerando as conhecidas estrelas cadentes. O cenário muda conforme as dimensões aumentam:
- Até 25 metros: Geralmente explode na alta atmosfera. Pode gerar um clarão e uma onda de choque capaz de quebrar janelas e causar ferimentos, como o evento de Chelyabinsk, na Rússia, em 2013, causado por um objeto de aproximadamente 20 metros.
- Acima de 140 metros: Um impacto dessa magnitude poderia devastar uma área do tamanho de um estado ou gerar tsunamis catastróficos se caísse no oceano.
- Acima de 1 quilômetro: Teria consequências globais, alterando o clima do planeta e ameaçando a vida como a conhecemos. Felizmente, mais de 95% dos asteroides desse porte já foram mapeados e nenhum está em rota de colisão.
Existe um plano de defesa?
A defesa planetária deixou de ser ficção científica e já possui testes práticos. Em 2022, a missão DART, da NASA, provou ser possível alterar a trajetória de um asteroide. Uma sonda colidiu propositalmente com a pequena lua Dimorphos, mudando sua órbita com sucesso.
Essa técnica, chamada de impacto cinético, é a nossa principal linha de defesa. A estratégia não é destruir o asteroide, o que poderia criar múltiplos fragmentos perigosos, mas sim dar um “empurrão” para que ele passe em segurança pela Terra. Para que funcione, a ameaça precisa ser detectada com anos ou décadas de antecedência.









