O passaporte eletrônico, em uso no Brasil desde 2010, e os cartões de crédito por aproximação já fazem parte do dia a dia, mas a tecnologia de microchip embutida neles ainda gera dúvidas sobre segurança. Utilizados para agilizar processos e proteger informações, esses componentes armazenam dados pessoais de forma criptografada, acessíveis apenas por leitores autorizados em aeroportos e terminais de pagamento.
Essa tecnologia, conhecida como Identificação por Radiofrequência (RFID) ou Comunicação por Campo de Proximidade (NFC), permite a troca de informações sem contato físico. No caso do passaporte, o chip, localizado na capa traseira, guarda todos os dados da página de identificação (nome, nacionalidade, data de nascimento etc.), além de dados biométricos como a foto facial e duas impressões digitais (dos dedos polegares e indicadores), agilizando a verificação na imigração.
Nos cartões, o microchip armazena as informações necessárias para autorizar uma transação. A cada pagamento por aproximação, um código único é gerado, o que torna a clonagem do dado daquela compra específica inútil para transações futuras.
Como a segurança é garantida com o passaporte com microchip
A proteção dos dados se baseia em múltiplas camadas. A principal delas é a criptografia, que codifica as informações contidas no chip. Sem a chave criptográfica correta, que pertence apenas aos sistemas autorizados, os dados se tornam ilegíveis para qualquer dispositivo que tente interceptá-los.
Outro mecanismo importante é a limitação do alcance. A tecnologia NFC exige que o leitor esteja a poucos centímetros do chip para estabelecer comunicação, o que impede a leitura à distância em locais públicos. Além disso, o acesso aos dados mais sensíveis, como as impressões digitais, é protegido por protocolos de segurança avançados, como o Controle de Acesso Estendido (EAC), que exigem chaves digitais que apenas autoridades autenticadas possuem.
Os sistemas de leitura também realizam uma autenticação mútua. O leitor verifica a autenticidade do chip, e o chip confirma que o leitor é um dispositivo autorizado antes de liberar qualquer informação, criando um canal de comunicação seguro.
Existem riscos de clonagem?
Apesar das barreiras de segurança, existem vulnerabilidades teóricas. A principal preocupação é o chamado “skimming”, uma técnica em que criminosos usam leitores potentes para tentar capturar os dados do chip à distância. No entanto, as proteções existentes tornam essa prática muito difícil e pouco eficaz.
Mesmo que um fraudador consiga ler o número de um cartão, informações essenciais para compras online, como o código de segurança (CVV), não são transmitidas na comunicação por aproximação. Para os passaportes, os dados básicos que poderiam ser interceptados são os mesmos visíveis na página de identificação do documento físico.
A tecnologia dos microchips está em constante evolução para se antecipar a novas ameaças. Carteiras e porta-passaportes com bloqueio de RFID também são vendidos como uma camada extra de proteção para quem busca mais tranquilidade.








