A discussão sobre o fim da escala 6×1 trouxe à tona um novo modelo de remuneração no Brasil: o salário por hora. A ideia foi apresentada como sugestão pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em maio de 2026, sendo uma alternativa a projetos que buscam reduzir a jornada de trabalho, como a PEC que propõe a transição de 44 para 40 horas semanais. O modelo altera a forma como o trabalhador recebe seu pagamento e calcula benefícios, embora os direitos como férias e 13º salário sejam mantidos.
Nesse sistema, a remuneração deixa de ser um valor fixo mensal para ser calculada com base na quantidade de horas efetivamente trabalhadas. O valor da hora seria definido em contrato, respeitando o piso da categoria ou o salário mínimo por hora, calculado proporcionalmente ao valor vigente no país.
O principal impacto estaria na previsibilidade da renda. Em um mês com menos dias úteis ou se o trabalhador precisasse se ausentar, o salário seria menor. Por outro lado, em períodos de alta demanda, a renda poderia aumentar com o acréscimo de horas trabalhadas, sem que necessariamente se configure como hora extra tradicional.
Como ficariam os direitos trabalhistas?
Embora a proposta inicial garanta a manutenção de direitos como férias, 13º salário e FGTS, os detalhes do cálculo ainda não foram formalizados. A seguir, apresentamos uma interpretação técnica de como esses benefícios poderiam ser calculados de forma proporcional, com base em modelos semelhantes:
- 13º salário: o valor seria calculado com base na média das horas trabalhadas ao longo do ano, em vez de corresponder a um salário mensal integral.
- Férias remuneradas: o direito aos 30 dias de descanso continuaria, mas o valor recebido seria o correspondente à média de remuneração dos últimos 12 meses.
- FGTS e INSS: os recolhimentos de 8% sobre o salário e as contribuições previdenciárias seriam feitos sobre o valor total recebido no mês, que variaria conforme a jornada.
- Descanso Semanal Remunerado (DSR): o pagamento do dia de folga também seria calculado a partir de uma média das horas trabalhadas na semana.
Vantagens e desvantagens do modelo
A adoção do pagamento por hora divide opiniões e apresenta cenários distintos para o empregado e o empregador. Para o trabalhador, o sistema poderia trazer tanto benefícios quanto prejuízos, dependendo do perfil profissional e do setor de atuação.
Entre as possíveis vantagens, estão a maior flexibilidade para ajustar a jornada e a chance de aumentar os ganhos em meses de maior atividade. O modelo também oferece mais transparência sobre o valor real do tempo de trabalho.
Já as desvantagens incluem a instabilidade da renda mensal, o que dificulta o planejamento financeiro e o acesso a crédito. Além disso, existe o risco de uma pressão para que o trabalhador cumpra jornadas mais longas para garantir um salário satisfatório, comprometendo o descanso.







