A discussão sobre o fim da escala 6×1 no Brasil, impulsionada por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação na Câmara dos Deputados, encontra inspiração em um modelo já testado na Europa: a jornada de quatro dias por semana. A ideia central é reduzir o tempo de trabalho sem diminuir os salários, algo que vários países do continente europeu já colocaram em prática.
Nesses locais, a mudança foi além do debate e virou realidade, trazendo resultados concretos. No Reino Unido, por exemplo, um programa piloto realizado em 2022 com 61 empresas mostrou que a produtividade se manteve e, em alguns casos, até aumentou. As companhias registraram uma queda de 57% nos pedidos de demissão, e 71% dos trabalhadores relataram níveis menores de burnout.
Na prática, a semana de quatro dias significa, geralmente, uma jornada de 32 horas semanais. A experiência revelou que o foco dos colaboradores passou a ser a eficiência das tarefas, e não o tempo gasto no escritório. Reuniões se tornaram mais curtas e objetivas, e processos foram otimizados para evitar desperdício de tempo.
Menos horas, mais produtividade?
A proposta brasileira segue uma lógica parecida. O objetivo é que, com mais tempo de descanso, os trabalhadores se tornem mais engajados e saudáveis, resultando em um desempenho melhor durante o expediente. Com dois dias de folga consecutivos garantidos, a qualidade de vida seria o principal ganho imediato.
Para as empresas, a mudança pode significar maior capacidade de atrair e reter talentos, além de uma força de trabalho mais motivada. Países como a Islândia, que realizou testes entre 2015 e 2019, além de Bélgica e Espanha, também exploraram modelos semelhantes, observando benefícios na redução do estresse e do esgotamento profissional (burnout).
Claro, a transição não é simples. A realidade econômica do Brasil é diferente da europeia, e cada setor produtivo tem suas particularidades. Indústrias com linhas de produção contínuas, por exemplo, enfrentam desafios distintos dos escritórios de serviços ou do comércio. O debate no Congresso Nacional levará em conta essas diferenças para encontrar um modelo viável.
Enquanto a PEC avança, a experiência internacional serve como um laboratório prático. Os resultados da Europa mostram que repensar a jornada de trabalho é um caminho possível para alinhar o crescimento econômico com o bem-estar dos trabalhadores.










