A chegada de novos ônibus elétricos às frotas de grandes cidades brasileiras, como São Paulo — que concentra a maior parte da frota elétrica do país —, levanta uma dúvida central para milhões de passageiros: a tarifa do transporte público vai diminuir ou aumentar? A resposta não é simples e depende de um balanço delicado entre o alto custo de aquisição dos veículos e a economia gerada no dia a dia com a eliminação do diesel.
O principal obstáculo para a transição energética no transporte coletivo é o investimento inicial. Um ônibus elétrico pode custar de três a seis vezes mais que um modelo a diesel com especificações semelhantes. Além do preço do veículo, é preciso investir em uma nova infraestrutura de recarga nas garagens, o que adiciona um custo significativo ao projeto.
Essa conta, naturalmente, precisa ser paga. Sem um planejamento financeiro robusto, a renovação da frota poderia pressionar o valor das passagens para cima, repassando o investimento para o consumidor final. É neste ponto que o planejamento do poder público se torna fundamental para evitar um impacto negativo no bolso do usuário.
A economia na operação pode compensar?
Por outro lado, a operação de um ônibus elétrico é consideravelmente mais barata. Em cidades como São Paulo, por exemplo, estudos mostram que o custo da energia elétrica por quilômetro rodado pode ser mais de três vezes menor que o do diesel, um combustível com preços voláteis e tendência de alta. A economia com combustível é o principal trunfo do modelo elétrico a longo prazo.
Outro ponto de economia está na manutenção. Motores elétricos possuem menos peças móveis que motores a combustão, o que reduz a necessidade de trocas de óleo, filtros e outros componentes. Essa simplicidade pode resultar em um custo de manutenção até 70% menor em comparação com os veículos a diesel. Menos visitas à oficina significam menor custo operacional e mais tempo de disponibilidade do veículo para rodar nas ruas.
O fator decisivo para o preço da passagem é como essa equação será equilibrada. A tendência é que os governos criem modelos de subsídio para cobrir parte do investimento inicial das empresas de transporte. Com esse apoio, a economia gerada pela operação com eletricidade pode ser usada para manter a tarifa estável ou até mesmo evitar reajustes que ocorreriam com o aumento do diesel.
Portanto, a expectativa no curto e médio prazo não é de uma redução imediata na passagem. O maior benefício para o passageiro será a previsibilidade e a contenção de aumentos futuros, além da melhoria na qualidade do ar e da redução de ruído nas cidades.










