A dúvida sobre a transmissão do Alzheimer entre gerações é uma preocupação comum para quem tem ou teve parentes diagnosticados com a doença. Ter um histórico familiar, de fato, aumenta o risco de desenvolver a condição, mas é importante entender que isso não representa uma sentença. A ciência distingue dois cenários principais quando se trata da influência genética no Alzheimer.
A forma mais comum é a de início tardio, que geralmente se manifesta após os 65 anos. Nesses casos, a genética funciona como um fator de risco, não como uma causa direta. O gene mais conhecido associado a essa forma é o APOE-e4. Ter uma cópia desse gene pode triplicar o risco, enquanto duas cópias podem aumentá-lo em até 12 vezes, embora o impacto possa variar entre diferentes populações. Contudo, muitas pessoas com esse gene nunca desenvolvem a doença, e outras, sem ele, acabam por manifestá-la.
Já o Alzheimer de início precoce, que surge antes dos 65 anos e representa menos de 5% dos casos, possui uma ligação genética muito mais forte. Ele está associado a mutações em genes específicos (principalmente APP, PSEN1 e PSEN2) que são passados de uma geração para outra. Se um dos pais tem essa mutação, os filhos têm 50% de chance de herdá-la e, consequentemente, de desenvolver a doença ainda jovens.
É possível reduzir o risco de desenvolver Alzheimer?
Mesmo com a predisposição genética, o estilo de vida desempenha um papel fundamental na saúde do cérebro. Adotar hábitos saudáveis pode ajudar a retardar o aparecimento dos sintomas ou até mesmo diminuir as chances de a doença se manifestar, especialmente na forma de início tardio. As principais recomendações se concentram em proteger o cérebro e o sistema cardiovascular.
Manter a mente ativa é uma das estratégias mais eficazes. Atividades como aprender um novo idioma, tocar um instrumento musical, ler constantemente e resolver quebra-cabeças estimulam a criação de novas conexões neurais. Além disso, cuidar do corpo reflete diretamente na saúde cerebral. Veja o que você pode fazer:
- Pratique atividades físicas regularmente, combinando exercícios aeróbicos, como caminhada ou corrida, com treinos de força.
- Adote uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis, como as presentes no azeite e nos peixes. A dieta mediterrânea é frequentemente recomendada.
- Controle fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, colesterol alto e obesidade.
- Priorize a qualidade do sono, pois é durante o descanso que o cérebro realiza processos importantes de “limpeza” de toxinas.
- Mantenha uma vida social ativa, pois a interação com outras pessoas é um poderoso estímulo cognitivo e emocional.









