Com a divulgação recorrente de novas pesquisas eleitorais para 2026, o debate sobre a corrida presidencial ganha força e traz de volta dúvidas comuns sobre como esses levantamentos funcionam. Entender a metodologia por trás dos números é fundamental para interpretar corretamente os cenários de intenção de voto.
As pesquisas não entrevistam todos os eleitores do país. Em vez disso, trabalham com uma amostra, um grupo menor de pessoas selecionado para representar o total da população votante. Para que essa “miniatura” do eleitorado seja fiel, os institutos usam critérios demográficos como gênero, idade, renda e escolaridade, com base em dados do Censo do IBGE e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Essa seleção busca garantir que o perfil dos entrevistados seja proporcional ao da população brasileira. Se 52% dos eleitores são mulheres, por exemplo, a amostra da pesquisa também terá 52% de mulheres. O mesmo vale para as outras categorias, assegurando um retrato estatístico mais preciso.
Institutos como Datafolha, Quaest e Ipec estão entre os mais conhecidos por realizar esses levantamentos. Para garantir a transparência e a fiscalização, toda pesquisa eleitoral deve ser registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde informações sobre a metodologia, o período de coleta e quem contratou o estudo são públicas.
O que é a margem de erro?
Todo levantamento por amostragem possui uma margem de erro. Ela representa a variação esperada nos resultados, para mais ou para menos. Se um candidato aparece com 30% das intenções de voto e a margem de erro é de dois pontos percentuais, seu resultado real está entre 28% e 32%.
A margem de erro é crucial para identificar o chamado empate técnico. Isso acontece quando a diferença entre dois candidatos é menor que a soma das margens de erro. Na prática, significa que não é possível afirmar estatisticamente quem está na frente.
Outro conceito importante é o nível de confiança, que geralmente é de 95%. Ele indica a probabilidade de que os resultados da pesquisa reflitam a realidade dentro da margem de erro. Ou seja, se a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes, 95 delas apresentariam um resultado dentro dessa variação.
Além disso, os questionários costumam ter duas abordagens. Na espontânea, o entrevistador apenas pergunta em quem o eleitor pretende votar, sem apresentar opções. Já na estimulada, uma lista com os nomes dos candidatos é mostrada, ajudando a medir o potencial de cada um de forma mais direta.
A coleta dos dados pode ser feita de diferentes formas: presencialmente, com entrevistadores indo a campo, ou por telefone, com ligações para números fixos e móveis. Cada método tem suas próprias particularidades para garantir a aleatoriedade e a representatividade da amostra selecionada. Essas diferenças metodológicas, somadas a períodos de coleta distintos, também explicam por que diferentes institutos podem apresentar resultados variados para o mesmo cenário.









