A pouco mais de um mês do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro de 2026, a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto intensifica um debate recorrente: por que os resultados de diferentes institutos divergem? A resposta está, em grande parte, na forma como os eleitores são entrevistados, com metodologias que vão do tradicional cara a cara ao recrutamento digital.
Cada abordagem busca criar um espelho fiel da população brasileira, mas os caminhos para chegar lá são distintos. Nesta reta final de campanha, o método de coleta se torna um fator ainda mais crucial para entender a chamada ‘fotografia do momento’, que tenta capturar as tendências de um eleitorado cada vez mais decidido.
Como funcionam as pesquisas
As sondagens realizadas no Brasil costumam seguir três modelos principais de coleta de dados. Entender como cada um funciona ajuda a interpretar os cenários apresentados nesta fase decisiva da corrida ao Palácio do Planalto.
A pesquisa presencial, ou de campo, é a mais tradicional. Nela, entrevistadores vão a locais de grande circulação ou visitam domicílios para aplicar os questionários. O sorteio das áreas segue um plano amostral baseado em dados do IBGE para garantir a representatividade de gênero, idade, renda e escolaridade dos eleitores.
Já a pesquisa por telefone, conhecida como CATI (entrevista telefônica assistida por computador), realiza ligações para números fixos e móveis sorteados aleatoriamente. O desafio deste modelo é a taxa de recusa, pois muitas pessoas não atendem chamadas de números desconhecidos, o que pode gerar distorções na amostra.
Por fim, a pesquisa online com recrutamento digital, ou RAW (Recrutamento Aleatório Digital), é um método mais recente. Os entrevistados são selecionados a partir de um convite veiculado aleatoriamente em sites e redes sociais. Após o cadastro, o instituto seleciona um grupo que corresponda ao perfil demográfico do eleitorado para responder ao questionário online.
O impacto da amostragem nos resultados
A escolha da metodologia impacta diretamente o perfil do público alcançado. Pesquisas presenciais pode captar com mais precisão a opinião de eleitores de baixa renda ou que vivem em áreas com menor acesso à internet. Em contrapartida, as sondagens por telefone e online podem ter mais penetração entre o público jovem e conectado.
Essas diferenças na composição da amostra explicam por que um mesmo cenário eleitoral pode apresentar variações entre os institutos, especialmente nesta reta final. Para uma análise correta, é fundamental considerar a margem de erro e o nível de confiança de cada levantamento. As divergências não indicam necessariamente um erro, mas sim retratos distintos, influenciados pelo método utilizado para ouvir um eleitorado cujas intenções de voto começam a se cristalizar.








