A recente aprovação no Senado de um projeto para incluir a vacina contra o herpes zoster no SUS coloca em destaque uma dúvida comum: qual a relação da doença com a catapora? A resposta está em um único agente, o vírus Varicela-Zóster, que permanece no corpo por toda a vida após a primeira infecção, geralmente na infância.
Depois que uma pessoa se cura da catapora, o sistema imunológico não elimina completamente o vírus. Em vez disso, ele se aloja de forma inativa, ou latente, nos gânglios nervosos, que são agrupamentos de células nervosas localizados próximos à medula espinhal e ao cérebro. Lá, ele pode permanecer silencioso por décadas.
O problema surge quando a imunidade do corpo diminui. Essa queda nas defesas, comum com o avanço da idade, especialmente a partir dos 50 anos, ou em pessoas com o sistema imunológico comprometido, cria uma oportunidade para o vírus “acordar”.
A reativação do vírus no corpo
Ao se reativar, o Varicela-Zóster viaja pelos nervos até atingir a pele. O resultado é o herpes zoster, popularmente conhecido como cobreiro. A doença se manifesta com lesões e bolhas dolorosas, que geralmente aparecem em uma faixa em apenas um lado do corpo, seguindo o trajeto do nervo afetado.
A dor intensa, descrita como queimação ou pontadas, é um dos principais sintomas e pode persistir por meses ou até anos após o desaparecimento das lesões, uma complicação chamada neuralgia pós-herpética.
A importância da imunização
A vacina contra o herpes zoster funciona como um reforço para o sistema imunológico. Ela estimula a produção de defesas específicas contra o vírus Varicela-Zóster, mantendo a imunidade em níveis altos o suficiente para impedir que o agente adormecido se reative. Geralmente administrada em um esquema de duas doses, sua eficácia é alta na prevenção da doença e de suas complicações.
Com a aprovação do Projeto de Lei 4.426/2025 na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, em 1º de setembro de 2026, a vacina contra o herpes zoster no SUS para pessoas a partir de 50 anos e para maiores de 18 anos com imunossupressão. O texto, no entanto, ainda precisa passar por turno suplementar na comissão antes de seguir sua tramitação. A medida é fundamental para prevenir não apenas as lesões de pele, mas principalmente as complicações dolorosas e incapacitantes associadas à doença.










