Pela primeira vez desde o início da série histórica em 2016, o número de crianças entre 10 e 13 anos com celular próprio caiu no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, divulgados em julho de 2026, mostram que a posse de aparelhos nessa faixa etária recuou de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025. O movimento reflete uma preocupação crescente de pais e responsáveis com a exposição dos filhos a redes sociais e aos perigos do ambiente digital.
A decisão de adiar a entrega de um smartphone tradicional está ligada a riscos como cyberbullying e acesso a conteúdo inadequado. De acordo com a pesquisa, o principal motivo alegado pelos responsáveis é a preocupação com privacidade e segurança (32%), um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024. Com isso, muitos pais buscam uma forma de manter contato e garantir a segurança dos filhos sem abrir a porta para a internet irrestrita.
Essa nova demanda impulsionou um mercado de tecnologias alternativas que focam em comunicação controlada e monitoramento. Esses dispositivos são projetados para oferecer tranquilidade aos pais e uma introdução mais segura das crianças ao mundo digital, mantendo-as longe da pressão e dos algoritmos das redes sociais.
Longe das redes sociais: alternativas para comunicação e segurança
Diante desse cenário, diversas opções de aparelhos sem acesso livre à internet estão se popularizando como o primeiro dispositivo de uma criança. Elas equilibram a necessidade de comunicação com a proteção fundamental para essa faixa etária. As principais opções disponíveis no mercado incluem:
- Smartwatches infantis: equipados com GPS, permitem que os pais saibam a localização da criança em tempo real. As funções de chamada são restritas a uma lista de contatos pré-aprovada, e muitos possuem um botão de emergência (SOS) que aciona os responsáveis instantaneamente.
- Celulares simplificados: conhecidos como “dumb phones”, estes aparelhos focam no essencial, que é fazer e receber ligações e enviar mensagens de texto. Eles não têm acesso à internet, aplicativos ou redes sociais, sendo uma escolha segura para a comunicação direta.
- Dispositivos de comunicação por Wi-Fi ou rádio: para distâncias mais curtas, como em um parque, praia ou condomínio, comunicadores que funcionam de forma parecida com walkie-talkies são uma alternativa. Eles não dependem de um plano de celular e promovem uma interação mais direta e lúdica.
Essas tecnologias oferecem uma transição gradual para a vida digital. Elas garantem a segurança e a comunicação que os pais julgam necessárias, mas sem a complexidade e os riscos inerentes a um smartphone conectado. O foco é manter a conexão familiar e a proteção das crianças durante uma fase crucial de seu desenvolvimento.









