Entender o que um cachorro “diz” com o corpo é a principal ferramenta para evitar um ataque. Muitas vezes, as mordidas poderiam ser prevenidas se os sinais de desconforto e estresse do animal fossem identificados a tempo. Antes de rosnar ou morder, os cães emitem uma série de avisos sutis que indicam que uma situação está se tornando insustentável para eles.
Reconhecer essa linguagem corporal é fundamental não apenas ao interagir com animais desconhecidos na rua, mas também com os cachorros de amigos, familiares e até mesmo com o próprio pet. Um cão pode se sentir ameaçado por diversos motivos, como a proteção de seu território, comida, brinquedos ou por medo e dor.
Os sinais que antecedem a mordida
A agressividade canina raramente surge do nada. Existe uma escada de comunicação que o animal utiliza para expressar seu incômodo. Ficar atento a esses comportamentos é o primeiro passo para garantir a segurança de todos. Os principais sinais de alerta incluem:
- Congelamento do corpo: antes de reagir, o cão costuma ficar completamente imóvel e rígido por um instante. Ele para qualquer movimento, como se estivesse decidindo o que fazer em seguida.
- Olhar fixo e intenso: o animal encara diretamente a pessoa ou o outro animal que o está incomodando, muitas vezes com a boca fechada e o corpo tenso.
- Mostrar o branco dos olhos: conhecido como “olho de baleia”, acontece quando o cão vira a cabeça, mas mantém o olhar fixo no alvo, revelando a parte branca do globo ocular.
- Lamber os lábios e bocejar: fora de um contexto de fome ou sono, esses gestos indicam um alto nível de estresse e ansiedade. São tentativas do animal de se acalmar.
- Rabo e orelhas: um rabo abanando nem sempre significa felicidade. Se estiver erguido e rígido, movendo-se de forma curta e rápida, é um sinal de alerta. As orelhas para trás, coladas na cabeça, também demonstram medo ou agressividade.
É crucial entender que o rosnado, muitas vezes visto como o sinal mais óbvio, é um dos últimos avisos na escada da agressão. Especialistas em comportamento animal recomendam não punir o cão por rosnar. Punir esse comportamento pode ensinar o animal a suprimir o aviso, fazendo com que ele pule essa etapa e ataque sem um alerta sonoro claro em situações futuras de estresse.
Como reagir para evitar o ataque
Se você identificar um ou mais desses sinais, a melhor atitude é a de desescalar a situação. Movimentos bruscos ou gritos podem piorar o cenário. A recomendação é seguir alguns passos simples:
- Não corra: correr pode ativar o instinto de perseguição do cão.
- Evite contato visual direto: encarar o animal pode ser interpretado como um desafio. Desvie o olhar lentamente.
- Fique de lado para o cão: virar o corpo de lado, em vez de ficar de frente, comunica que você não é uma ameaça.
- Afaste-se lentamente: recue devagar e sem dar as costas completamente para o animal.
Caso um ataque seja inevitável, a orientação é se proteger. Coloque um objeto entre você e o cão, como uma bolsa, mochila ou casaco. Se for derrubado, encolha-se no chão em posição fetal, cobrindo a cabeça e o pescoço com os braços para proteger as áreas vitais.
Quando procurar ajuda profissional?
Se um cão apresenta comportamento agressivo de forma recorrente, é fundamental buscar a orientação de um profissional. Um médico veterinário poderá descartar causas clínicas para a agressividade, como dor ou doenças. Além disso, um adestrador especializado em comportamento canino ou um médico veterinário comportamentalista pode criar um plano de manejo e modificação de comportamento seguro e eficaz para o animal e sua família.










