VACINA

Covid-19: Pazuello agora fala em fevereiro para início do plano de vacinação

Ministro da Saúde disse que é preciso controlar a "ansiedade e a angústia". Ele já havia citado os meses de janeiro e março como previsão para começo de imunização contra covid-19

Sarah Teófilo
Bruna Lima
Maria Eduarda Cardim
postado em 16/12/2020 15:37 / atualizado em 16/12/2020 16:45
 (crédito: Tony Winston/MS)
(crédito: Tony Winston/MS)

Após apresentar o novo plano nacional de vacinação contra a covid-19 nesta quarta-feira (16/12), o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, mudou a previsão de data para início da implementação do plano de imunização: fevereiro de 2021. O ministro já havia falado em janeiro e também em março do próximo ano.

"Se nós conseguirmos manter o planejado do (Instituto) Butantan e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) de apresentar a fase 3 dos estudos e toda a documentação da fase 1 e 2 ainda em dezembro; e solicitar à Anvisa o registro, teremos janeiro para análise da Anvisa. Possivelmente em meados de fevereiro para frente, nós estejamos com as vacinas recebidas e registradas para iniciar o plano", disse.

Apesar da previsão, o ministério continua sem dar datas claras para início da vacinação. O novo plano divulgado apenas estima que os “grupos de maior risco para agravamento e de maior exposição ao vírus estariam vacinados ainda no primeiro semestre de 2021”. Documento diz, ainda, que a pasta estima que em 12 meses após a fase inicial deve concluir a vacinação da população em geral, mas que isso dependerá da quantidade de vacinas disponíveis.

Datas de início da imunização foram inclusive solicitadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski. "Quando o STF nos pergunta sobre prazos, nós temos que condicionar à vacina registrada e entregue. O que vimos na pandemia: se vendeu muita ilusão quando se falava de compra de respiradores, equipamentos, estados e municípios com dificuldades, até hoje, de comprovar as suas ações, porque às vezes as coisas não se concretizam", afirmou Pazuello.

"Para que essa ansiedade e essa angústia?", chegou a questionar Pazuello sobre a pressão por datas do plano de vacinação. "O povo brasileiro tem a capacidade de ter o maior programa de imunização do mundo. Somos os maiores fabricantes de vacina da América Latina. Para que essa ansiedade e essa angústia? Somos referência na América Latina e estamos trabalhando", pontuou. Segundo o último balanço do Ministério da Saúde, a covid-19 matou 182.799 pessoas no Brasil, sendo 964 apenas nas últimas 24 horas.

Ministério da Saúde coloca o 'se'

O ministro afirmou que após garantir o registro e segurança da vacina, garantida pela Anvisa, em cinco dias inicia-se a distribuição aos estados e, em seguida, os estados organizam a logística com os municípios. "Isso é muito rápido porque tudo isso está pronto. O ministério coloca o 'se'. Não existe como não colocar o 'se'. Não lidamos com a possibilidade. Só será concreto e, a partir daí, teremos a obrigação de cumprir prazos quando tivermos registrada a vacina e entregue. Até então, nós temos o 'se'. E esse 'se' vai ganhando corpo, vai se fortalecendo com o passar dos dias e acompanhamento. Registrado e entregue em fevereiro, nós iniciamos no mais curto prazo", pontuou.

Termos de consentimento

Depois que o presidente Jair Bolsonaro disse que será necessária a assinatura de um termo de responsabilidade para que o cidadão seja imunizado contra a covid-19, o ministro afirmou que um termo de consentimento será necessário para vacina de uso emergencial.

"Autorização de uso emergencial não é uma campanha de vacinação. É limitada a grupos específicos, e esses grupos são voluntários. Não é uma campanha que as pessoas vão chegar na porta do posto de vacinação e vão ter que assinar um termo de consentimento", disse, ressaltando que não será exigido termo algum nos postos de vacinação quando forem disponibilizadas "as vacinas registradas, seguras e garantidas pela Anvisa".

"Se um laboratório brasileiro ou internacional solicitar o uso emergencial da vacina e a Anvisa assim autorizar, para aquele grupo específico e na quantidade limitada, as pessoas que participarem deste evento, assinarão um termo de consentimento livre e esclarecido. Somente nestes casos", afirmou.

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