COVID-19

Brasil vive segunda onda em nível nacional, diz gerente da Opas

Segundo boletim extraordinário da Fiocruz, 19 unidades federativas do país têm mais de 80% dos leitos de UTI destinados ao tratamento de pacientes com covid-19 ocupados, sendo que 10 delas contam com taxas maiores que 90%

Sarah Teófilo
Maria Eduarda Cardim
postado em 03/03/2021 16:11 / atualizado em 03/03/2021 18:03
Gerente de Incidentes da Opas, Sylvain Aldighieri -  (crédito: Reprodução/Youtube)
Gerente de Incidentes da Opas, Sylvain Aldighieri - (crédito: Reprodução/Youtube)

O gerente de Incidentes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Sylvain Aldighieri, reconheceu nesta quarta-feira (3/3) que a situação do Brasil é preocupante a nível nacional. Durante entrevista coletiva, Aldighieri afirmou que o país enfrenta uma segunda onda da pandemia de covid-19 de “amplitude nacional”.

“Acho que o Brasil neste momento está enfrentando uma segunda onda pandêmica de amplitude nacional, com impacto muito forte nos serviços de saúde, incluindo cuidados intensivos, nas taxas de ocupação de UTIs (unidades de terapia intensiva) em alguns estados”, disse o gerente da Opas.

De acordo com o último boletim do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de terça-feira (2), 18 estados e o Distrito Federal têm mais de 80% dos leitos de UTI para o tratamento de pacientes com covid-19 ocupados. Apenas oito unidades da Federação não ultrapassaram a taxa de ocupação considerada crítica pelos pesquisadores, sendo o Sergipe o único fora da zona de alerta.

Sylvian Aldighieri pontuou que o Brasil já relatou mais de 10 milhões de casos de covid-19 e mais de 250 mil óbitos pela doença, sendo o segundo país mais afetado pela pandemia nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, com 517 mil mortos. O gerente pontuou que nos últimos três meses, antes do Natal, a Opas observou uma segunda onda pandêmica que havia começado ao norte da bacia amazônica, incluindo o estado do Amazonas. A situação se estendeu a Roraima, Rondônia e Acre, como pontuou.

Ainda em novembro, durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reconheceu, que havia um aumento de infecções e óbitos, que caracterizou como “repique” e não como “segunda onda”. “Nós estamos falando, também, de repique de contaminações e mortes em algumas regiões do país”, disse.

Na última semana, durante pronunciamento, Pazuello admitiu que várias cidades do Brasil observaram a alta de casos e mortes. “Várias cidades do país, vários locais estão subindo (os números de infectados). Não está centrado apenas no Norte e Nordeste, como vimos ano passado. Precisamos estar alerta e preparados para isso”, salientou.

Transmissão

Conforme Aldighieri, alguns relatórios de autoridades sanitárias do Brasil mostram, neste momento, uma alta transmissão em algumas áreas do país, incluindo outras zonas geográficas, como estados do Nordeste e o Sul. Ele ressaltou que também foi observado ao longo das últimas semanas um impacto no fornecimento de insumos, citando a falta de cilindros de oxigênio no início do ano em Manaus, que causou a morte de diversas pessoas por asfixia em unidades de Saúde.

“É chave reduzir a transmissão do Brasil, assim como isso se aplica a outros países da América do Sul. Para salvar vidas, controlar a disseminação de variantes do vírus, precisamos ter uma aplicação estrita das medidas de proteção de saúde pública. Isso é chave no contexto atual do Brasil e também em alguns outros países da América do Sul”, disse.

Variantes

Sylvian Aldighieri ainda ressaltou que as variantes são uma preocupação a nível mundial, e que até a última terça, 28 países ou territórios da região das Américas haviam notificado a presença de “pelo menos uma variante das três de alta preocupação” que a Opas tem acompanhado no âmbito global. Conforme o gerente, oito países da América do Sul e do Norte relataram, até o momento, a identificação da variante P.1, identificada pela primeira vez no Amazonas.

“Nesse momento, é muito importante mencionar que o impacto da variante P.1, a dinâmica de transmissão, está em processo de caracterização, com várias publicações que nos dão alguma evidência em vários grupos de pesquisadores. Mas a pesquisa científica continua em seu curso”, afirmou, ressaltando que um aspecto importante é a ampliação da vigilância genômica do vírus. “É uma atividade crítica e tem impacto potencial nessas variantes na transmissibilidade do vírus, e potencialmente também seu impacto nas campanhas de vacinação”, disse.

Na última semana, questionado pelo Correio em entrevista coletiva sobre as variantes e o possível impacto no aumento de casos no país e o colapso dos sistemas no Brasil, o diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou que “a contribuição de variantes na situação não é inteiramente compreendida nesse caso específico”.

“Mas nós sabemos que nos países que estão aplicando medidas consistentes e persistentes, em termos de saúde pública, medidas sociais e ações individuais, que isso está afetando a trajetória de todas as variantes. E apesar de algumas variantes mostrarem a propensão para altos níveis de transmissão, o que é claro é que as medidas de controle designadas estão afetando e levando-os (a quantidade de casos) para baixo”, afirmou.

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