ESTADO DE ATENÇÃO

Instituto da Universidade de Washington faz previsão sombria para covid-19 no Brasil

Estimativa de instituto da Universidade de Washington mostra que números da pandemia podem voltar a disparar — com quase 1 milhão de mortos em setembro — caso a sociedade deixe de levar a sério as medidas de proteção, apesar do avanço da vacinação

Correio Braziliense
postado em 19/05/2021 06:00
UTI da covid no hospital Ronaldo Gazola, no Rio. Se desrespeito às medidas de proteção continuarem, internações e mortes voltarão a subir -  (crédito: Andre Coelho/AFP - 5/3/21)
UTI da covid no hospital Ronaldo Gazola, no Rio. Se desrespeito às medidas de proteção continuarem, internações e mortes voltarão a subir - (crédito: Andre Coelho/AFP - 5/3/21)

O Brasil deve ter um novo aumento de mortes por covid-19 nos próximos dias — ontem, segundo números do Ministério da Saúde, os óbitos chegaram a 430.050, sendo 2.513 nos últimas 24 horas — e, no pior dos cenários, registrará 973 mil vidas perdidas para a doença até setembro. Os dados são de uma projeção feita pelo Instituto Para Métricas de Saúde e Avaliação (IHME), da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Entretanto, há quem veja com reservas uma estimativa como essa, feita a longo prazo, devido à situação do novo coronavírus no país, que vem apresentando um quadro de estabilidade, pois os registros oscilam para cima e para baixo.

O instituto — que fornece dados para a Casa Branca e para a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), avaliarem as ações para o combate à covid — trabalha com três hipóteses. Na projeção mais otimista, os pesquisadores consideram que 95% da população usará máscaras de proteção contra a covid. Em outra, que chamam de projeção atual, é esperado que o ritmo de vacinação seja mantido e que a variante B.1.1.7 continue se espalhando em certos locais. Mas, no pior dos cenários, com o maior número de mortes, consideram que as pessoas já vacinadas vão abandonar as medidas de prevenção à doença.

Nas três projeções, o IHME estima que o Brasil voltará a registrar três mil mortes diárias já em 31 de maio. No cenário mais otimista, o novo pico de óbitos seria no início de junho, com cerca de 3,1 mil óbitos por dia. Nessas duas hipóteses, o número diário de vidas perdidas começaria a cair em 6 de junho e alcançaria entre 200 (mais otimista) e 480 óbitos (projeção atual) por dia no início de setembro.

Mas, no pior cenário — em que os vacinados deixam de lado a prevenção à covid —, o pico aconteceria no início do inverno, em 6 de julho, com quase quatro mil mortes. O número é o dobro do projetado no cenário intermediário (1,9 mil) e quase quatro vezes mais do que as mortes previstas na hipótese mais otimista (1,1 mil). Nessa conjuntura, o país ainda estaria no patamar das duas mil mortes diárias no início de setembro.

O instituto também projeta o total de mortes que o Brasil pode alcançar em cada uma das hipóteses formuladas. No cenário mais pessimista, terá em torno de 973 mil até o início de setembro. A previsão atual é para 832 mil óbitos no período e a análise mais otimista prevê 779 mil.

Difícil projeção

Roberto Kraenkel, professor do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (IFT-Unesp) e integrante do Observatório Covid-19 BR, afirma que é complicado projetar os rumos da covid-19 no país. “A epidemia no Brasil é composta por muitas epidemias ao mesmo tempo. Colocar tudo isso dentro do mesmo balaio é uma coisa complicada. As políticas públicas brasileiras têm sido reativas e não muito previsíveis”, observou.

A diferença entre as projeções reforça a importância das medidas de prevenção ao coronavírus. Se pelo menos 95% dos brasileiros usarem máscara adequadamente, cerca de 200 mil vidas poderão ser poupadas em pouco mais de três meses, segundo o IHME. A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), diz que o uso de máscaras, o distanciamento físico e a higienização das mãos são fundamentais neste momento. “Nós ainda estamos com o número de casos muito alto. Há muitas pessoas infectadas circulando pelas cidades e muitas delas nem sabem que carregam o vírus”, alerta. (Colaboraram Alexia Oliveira* e Gabriela Bernardes*)

 

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