Vacinação contra covid-19

SP libera 2ª dose da Pfizer para grávidas que tomaram a 1ª dose da AstraZeneca

A recomendação do estado, entretanto, é contrária à do Ministério da Saúde, que instruiu grávidas que tivessem recebido a vacina de Oxford a esperar para tomar a segunda dose do mesmo imunizante após 45 dias após o parto e, com isso, completar o esquema vacinal

Maria Eduarda Cardim
postado em 21/07/2021 13:34 / atualizado em 21/07/2021 15:01
 (crédito: Thomas Samson/AFP)
(crédito: Thomas Samson/AFP)

O governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (21/7) que as grávidas que tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca/Oxford poderão tomar a segunda dose da vacina da Pfizer, já que a vacina da AstraZeneca não deve ser mais aplicada neste grupo de mulheres desde a observação de um evento adverso grave com uma grávida vacinada com o imunizante. 

"A partir do dia 23 de julho, sexta feira, todas aquelas gestantes que receberam a primeira dose da vacina da AstraZeneca, de acordo com uma deliberação bipartite, podem ser vacinadas com a segunda dose da Pfizer", informou a coordenadora-geral do Programa Estadual de Imunização de SP, Regiane de Paula, durante coletiva de imprensa.

Segundo Regiane, a orientação é para que estas gestantes que receberam a primeira dose da AstraZeneca verifiquem o cartão vacinal e, na data indicada para tomar a segunda dose do imunizante, voltem ao posto de saúde para tomar a dose da vacina da Pfizer. Segundo o governo estadual, 8,8 mil gestantes do estado de São Paulo tomaram a primeira dose da vacina da AstraZeneca.

A recomendação do estado, entretanto, é contrária à do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, que instruiu que grávidas que tivessem recebido a vacina de Oxford devem esperar para tomar a segunda dose da mesma vacina após 45 dias após o parto e, com isso, completar o esquema vacinal.

Embate com PNI

A decisão do governo de São Paulo é mais uma que mostra o cenário de embate entre estados e o PNI. Decisões que não cumprem as orientações do programa nacional — como a inclusão de adolescentes de 12 a 17 anos no calendário de vacinação contra a covid-19 ou a intercambialidade de vacinas na imunização de grávidas —, vem sendo criticadas pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Para ele, essas medidas geram “calor” ao invés de gerar “luz”.

No início deste mês, em coletiva de imprensa, Queiroga pediu para que os secretários municipais e estaduais de Saúde não modifiquem as orientações do PNI “por conta própria”. A coletiva abordava justamente a vacinação contra a covid-19 de grávidas e puérperas.

Na ocasião, o ministro alertou que ainda não é seguro determinar a aplicação de uma segunda dose de vacina de outra marca nestas mulheres que receberam a primeira da AstraZeneca. “Não há evidência científica acerca de intercambialidade de vacinas em gestantes. Portanto, vamos manter a orientação do Programa Nacional de Imunização (PNI)”, disse.

Estudos

O governo de São Paulo, no entanto, afirma que a decisão de autorizar que estas mulheres tomem a segunda dose do imunizante da Pfizer foi "embasada em estudos que demonstraram boa proteção com a chamada “intercambialidade” de vacinas desses dois laboratórios". Além disso, o governo estadual ressalta que a medida está em conformidade com recomendações da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP).

A presidente da SOGESP, Rossana Pulcineli, defendeu o uso de dois imunizantes diferentes no caso das grávidas que tomaram a vacina da AstraZeneca. "Existem já alguns estudos iniciais da utilização da vacina da AstraZeneca e posteriormente a segunda dose com a vacina da Pfizer, onde foi observada que a imunidade era garantida e não havia aumento dos efeitos adversos e nenhum efeito adverso importante. [..] Nesse momento, a mortalidade pela covid é muito superior a qualquer risco teórico que poderia acontecer com a vacina. Porque o risco evidente a gente não tem", destacou.

Pulcineli também destacou que a conclusão do esquema vacinal das grávidas vacinadas com a primeira dose da AstraZeneca se faz ainda mais necessária diante da confirmação da circulação da variante delta no Brasil. "Já existem evidências que uma dose só da vacina não protege contra a variante delta", ponderou.

A recomendação do Ministério da Saúde não é consenso entre especialistas e estados. No estado do Rio de Janeiro a recomendação também diferente da do governo federal. Assim como em São Paulo, as gestantes e mulheres que tiveram bebês há até 45 dias e que tomaram a primeira dose da vacina da AstraZeneca poderão completar o esquema vacinal com a segunda dose da Pfizer.

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