PANDEMIA

Morte de Tarcísio Meira reacende debate sobre terceira dose

A medida, que já é adotada em Israel e no Chile, por exemplo, é avaliada pelo Ministério da Saúde, mas, segundo especialistas, ainda deve demorar para ser incorporada no Programa Nacional de Imunização (PNI)

Por causa da morte do ator Tarcísio Meira, que já havia tomado duas doses da vacina contra a covid-19, o debate sobre a necessidade de uma terceira aplicação do imunizante dominou as redes sociais. A medida, que já é adotada em Israel e no Chile, por exemplo, é avaliada pelo Ministério da Saúde, mas, segundo especialistas, ainda deve demorar para ser incorporada no Programa Nacional de Imunização (PNI) — já que o Brasil precisa concluir o esquema vacinal com as duas doses ou a dose única. Até o momento, apenas 22% da população do Brasil pode ser considerada protegida contra o novo coronavírus.

Ao Correio, o Ministério da Saúde disse que acompanha os estudos sobre a efetividade dos fármacos e “caso seja necessária a administração de doses adicionais das vacinas, o tema será levado à Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis, para discutir os ajustes da orientação da aplicação”. Por enquanto, não há nenhuma orientação da pasta quanto a terceira dose.

A pasta realiza um estudo com 1,2 mil voluntários para avaliar a necessidade do reforço para quem tomou a CoronaVac. A pesquisa, feita com pessoas com mais de 18 anos que receberam as duas doses do imunizante fabricado pelo Instituto Butantan há, pelo menos, seis meses, vai verificar a intercambialidade do fármaco com outros imunizantes oferecidos à população.

Fase anterior
A infectologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, Valéria Paes, acredita que a dose de reforço, como é chamada a terceira das vacinas, é uma possibilidade. “Nós temos pessoas que não tomaram nem a primeira dose e outra parcela muito grande que está imunizada com apenas uma dose. Então, nós ainda estamos em uma etapa anterior, o que reforça a necessidade de manutenção de todas as medidas possíveis de prevenção. O reforço virá, mas não é uma indicação para este momento”, ressaltou.

Para o infectologista Julival Ribeiro, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SIB), mais dados e estudos são necessários antes da tomada de decisão “para ver quais são as respostas de uma terceira dose”. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também aprovou, até o momento, três pedidos para realização de estudos clínicos considerando a administração de doses extras — dois da AstraZeneca e um da Pfizer.

A infectologista Valéria Paes ressalta que nem mesmo a vacina, a melhor proteção para evitar a covid-19, é 100% eficaz. Para ela, a morte de Tarcísio Meira reforça a necessidade de se manter todas as medidas de proteção. “Ainda precisamos reduzir a taxa de transmissão do vírus no país, com o uso de máscaras, ventilação de ambientes, distanciamento social e higiene das mãos”, afirmou.

Os especialistas consultados pelo Correio ainda chamam atenção para a questão ética que envolve a aplicação de uma terceira injeção contra a covid-19, enquanto há países que ainda não aplicaram nem a primeira em grande parte da população — como, aliás, salientou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

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