Nova previdência

Protesto de servidores municipais termina em confronto no centro de SP

A manifestação, contrária à Reforma da Previdência Municipal, acabou em confusão depois que alguns dos presentes tentaram invadir a Câmara de Vereadores. Eles foram dispersados com bombas de gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha

Jorge Vascocellos
postado em 10/11/2021 21:20
Nas redes sociais, vereadores e servidores criticaram a ação da polícia. Nesta foto, o vereador Celso Giannazi, do PSOL, se esquiva do gás lacrimogêneo -  (crédito: Celso Giannazi/Twitter/Reprodução)
Nas redes sociais, vereadores e servidores criticaram a ação da polícia. Nesta foto, o vereador Celso Giannazi, do PSOL, se esquiva do gás lacrimogêneo - (crédito: Celso Giannazi/Twitter/Reprodução)

Servidores públicos da cidade de São Paulo entraram em confronto com policiais militares e guarda civis metropolitanos nesta quarta-feira (10/11), durante protesto contra a Reforma da Previdência Municipal proposta pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), realizado em frente à Câmara Municipal de São Paulo.

A reforma está prevista para ser votada hoje, em segundo turno, após a aprovação do relatório final na Comissão Especial de Estudos, ocorrida na terça-feira (9/11).

Com faixas e cartazes contra Nunes, os manifestantes começaram a se concentrar em frente à Câmara por volta de 14h. O protesto é contra a proposta de taxação dos 63 mil aposentados do município que são alvos da reforma.

O projeto original da prefeitura paulistana prevê que cerca de 63 mil aposentados que ganham mais que um salário mínimo (R$ 1.100) passem a contribuir com a Previdência municipal com uma alíquota de 14%. Na atual regra do município, o percentual só é descontado de quem ganham acima de R$ 6.433.

Por volta das 16h30, houve confronto entre manifestantes e agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que acompanha o protesto. Foram jogados ovos, garrafas e mastros de bandeira contra o prédio da Câmara, o que foi respondido pelos policiais com tiros de bombas de gás.

Em nota, a Guarda Civil Metropolitana (GMC) informou que realizou apenas "um disparo de bala de borracha para dispersar manifestantes alterados que tentaram pular a grade e atiraram pedras contra o prédio da Câmara". Um GCM foi atingindo por uma pedra no capacete, mas não ficou ferido.

Por volta das 18h30, o prédio da Câmara voltou a ser atingido com pedras e pedados de madeira. A GCM respondeu com bombas de pimenta e gás.

Enquanto os confrontos ocorriam do lado de fora do prédio, vereadores trocavam insultos durante a votação da reforma. Em determinado momento, Rubinho Nunes (Patriota) estimulou que a galeria interrompesse o discurso da Vereadora Silvia Ferraro, da Bancada Feminista do Psol.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou "que a Guarda Civil Metropolitana está atuando com reforços no entorno da Câmara Municipal, visando garantir a segurança do local, dos manifestantes e servidores do legislativo municipal. Os agentes sofreram investidas dos manifestantes, que buscavam adentrar o prédio. Os protocolos de uso progressivo da força foram utilizados para conter a situação e evitar danos".

O novo texto aprovado pela comissão especial estipula que a alíquota cobrada seja progressiva, começando em 14% e chegando a 22% para quem recebe mais. Os vereadores também sugerem a exclusão do artigo que daria ao Executivo o poder para criar uma contribuição extraordinária em caso de déficit.

Os manifestantes não aceitam a proposta do governo e nem a da comissão especial, e querem que os vereadores retirem o projeto da pauta de votação da Câmara.

A prefeitura afirma que o rombo na Previdência é de R$ 171 bilhões, e que a reforma é necessária para equilibrar as contas. Servidores contrários à medida, no entanto, afirmam que haverá prejuízo a quem já ganha salários baixos.

Desde o início das discussões, vários protestos foram realizados. No último sábado (6/11), um grupo de manifestantes levou cartazes contrários à reforma durante a inauguração do Parque Augusta, no Centro de SP. 

 

 

 

 

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