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"A gente precisa despatologizar o luto", explica psicóloga Flávia Fonseca

De acordo com a especialista em estudo da morte, é preciso entender que o luto precisa ser vivido e que é processo natural

Thays Martins
postado em 11/11/2021 15:29
 (crédito: Marcelo Ferreiro/ CB/ DA Press)
(crédito: Marcelo Ferreiro/ CB/ DA Press)

Com mais de 610 mil mortes pela covid-19, muita gente perdeu alguém nesses quase dois anos de pandemia. E a pergunta que fica é como lidar com este luto? Em entrevista ao CB.Saúde, programa da TV Brasília em parceria com o Correio Braziliense, a psicóloga  da Secretaria de Saúde do DF e especialista em tanatologia, o estudo da morte, Flávia Nunes, explica que o mais importante é compreender que o luto deve ser vivido. 

"A primeira questão é compreender que uma perda tão significativa leva ao sofrimento", destaca a profissional. De acordo com ela, não tem nada de errado em sofrer a morte de alguém querido e para cada pessoa este processo é de uma maneira diferente e leva tempos distintos. "A gente precisa despatologizar o luto. É normal, é natural", explica. 

Porém, ela ressalta que é importante observar sinais de o luto possa estar caminhando para uma complicação. "É natural que a gente fique nesse movimento pendular. Uma hora estamos mais tristes, ao mesmo tempo há espaço para alegria. Algo que é interessante é verificar se essa pessoa está caminhando para uma reorganização, apesar do sofrimento", diz. 

No entanto, ela lembra que a maior parte das pessoas não precisa lidar com este momento com ajuda profissional e sim com uma rede de apoio.  "A maioria das pessoas que passa pelo processo de luto não precisa de acompanhamento psicológico.  Nesse momento o que é muito importante é que a rede de apoio se faça presente, familiares, pessoas da comunidade, grupos da igreja. Assim que a perda acontece, geralmente está todo mundo ali perto, mas que isso não se perca com o tempo", aconselha. 

Além disso, ela ressalta que o importante nesse momento é simplesmente estar presente e não há frases certas para se dizer. "O que eu aconselho a não dizer são aquelas frases prontas: "bola para frente", "a vida continua". Esse tipo de frase pode trazer a sensação de inadequação. Eu adoro aquela frase, que na verdade é uma pergunta: eu estou aqui, o que posso fazer por você? A gente não precisa falar nada, só estar presente. Nem eu que sou psicóloga me proponho a acabar com o sofrimento ", afirma. 

O luto nas crianças 

De acordo com a psicóloga, no caso das crianças o mais importante é não mentir para elas e evitar histórias fantasiosas, como de que a pessoa foi viajar. "O que é mais importante é que a gente seja verdadeiro e honesto. E deixar a criança livre para se expressar nesse momento. Crianças muito pequenas não vão entender que a morte é irreversível", destaca. 

Para além disso, Flávia explica que é importante falar sobre esse sofrimento e  passar por este processo. "O ser humano é adaptativo, a gente vai precisar acolher essa dor, falar sobre isso. Muitas vezes a terapia é o espaço para conversar sobre essa dor", diz. 

Veja a entrevista completa 

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