Dubai

Temer acredita em "multilateralismo" para negociações brasileiras

O ex-chefe de estado destacou, em evento da CNI, estabilidade entre as instituições brasileiras e histórico de negociações positivos entre o Brasil e o Oriente Médio

Tainá Andrade
postado em 14/11/2021 22:32 / atualizado em 14/11/2021 22:32
 (crédito:  OLIVERDORAN.COMM)
(crédito: OLIVERDORAN.COMM)

O ex-presidente Michel Temer, em discurso neste domingo (14/11) no Expo Dubai 2021, alertou que, nesse momento, há uma necessidade no Brasil em se ter investimentos estrangeiros, portanto valorizou a importância de negociações com os países árabes para aumentar a produção e qualidade nos avanços no país.

Defendeu que relações comerciais são fundamentais para fortalecer relações institucionais e políticas entre países. Além disso, ao falar sobre a recuperação econômica brasileira, Temer mencionou que o teto de gastos foi uma das ações importantes para recuperar a economia em seu mandato.

“Quando assumi o governo nós tínhamos um Produto Interno Bruto [PIB], em maio de 2016, negativo em quase 4%. Um ano e 3 meses depois, nós tínhamos um PIB positivo em 1,3, em face das reformas que fizemos no país, como teto de gastos, reforma trabalhista, ensino médio, recuperação das estatais, o que permitiu, naquele momento, a queda da inflação e da taxa de juros da Selic”, comentou.

De acordo com o ex-chefe de estado, o Brasil pode ser visto como um território para além do comércio no setor da agricultura e a aproximação com países árabes poderá ajudar o país a desenvolver outros setores, como o da tecnologia. Mas, para isso, seria fundamental que o Brasil procedesse com uma lógica de negociação multilateral, ao invés de bilateral.

“Temos a possibilidade de contato com o mundo todo, sem nenhuma exceção. Tomo aqui o exemplo dos países árabes, que compram praticamente 40 a 45% da nossa carne de frango. Seja no campo tecnológico, seja no campo da compra de materiais da agricultura, há a necessidade desse multilateralismo”, disse.

“O que vejo aqui, simbolicamente, é a possibilidade do multilateralismo apadrinhada pelos representantes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, com forte presença empresarial, mas política, a revelar que o setor institucional do país está vinculado e preocupado com essas relações sólidas e férteis - que já foram feitas -, mas devem acrescentar-se, a partir de agora, com os Emirados Árabes. Essa fertilidade, esse aumento, esse desenvolvimento das relações, penso eu, será úteis para ambos os países”.

Por fim, enviou um recado aos empresários presentes. Avisou que o Brasil precisa de investimento estrangeiro, principalmente para aplicar em infraestrutura e em obrar para, assim, gerar empregos. “Nos dias atuais o Brasil não tem tanto dinheiro pra aplicar em estrutura. A infraestrutura é fundamental, aplicar em obras, porque ela gera empregos. A iniciativa privada, por certa vez, no Brasil, teve uma certa queda. Então é fundamental que nós tenhamos investimentos estrangeiros coligados com investimentos nacionais”, alertou.

Relações

Classificou como “litigiosa” a forma de relação entre empregado e empregador estabelecida no país. Criticou a “posição de antagonismo” em que as duas se colocam e defendeu que uma força produtiva precisa da outra para crescer.

“As pessoas tentam criar uma litigiosidade entre as duas forças produtivas do país, empregado e empregador. Se você tem desemprego, para combater, precisa ter emprego e pra isso precisa ter empresa, empresário. E eu não vejo nunca as pessoas dizerem isso, pelo contrário, se colocam em uma posição de antagonismo”.

Ele também relacionou pontos em comum entre os dois países, como a falta de preconceito entre raças, religião e política e afirmou que nas duas nações há “uma grande organização capaz de alcançar a todos que se inserem neste país”.

Com isso, aproveitou a oportunidade para despreocupar investidores sobre qualquer instabilidade que eventualmente tenha se estabelecido entre instituições à frente do comando brasileiro. “Vez ou outra há alguma divergência no Brasil, mas hoje estão indo para o plano programático, administrativo, vez ou outra, para o plano ideológico. Portanto, nós temos uma unidade no país”, declarou.

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