Fundação Palmares

Sérgio Camargo chama Zezé Motta e Djavan de "pretos vergonhosos"; atriz responde

Chefe da Fundação Palmares criticou a participação dos dois artistas em campanha antirracista; Zezé Motta respondeu com longo texto nas redes sociais

Thays Martins
postado em 17/11/2021 09:58
 (crédito: reprodução/ Twitter )
(crédito: reprodução/ Twitter )

"Pretos vergonhosos?  Somos nós que lutamos todos os dias para que a "nossa " Fundação Palmares, continue com a filosofia, ideologia e a linha de ação política implantada, que tanto lutamos para que fossem instauradas", foi assim que respondeu a atriz Zezé Motta a ofensa proferida pelo presidente da Fundação Camargo, Sérgio Camargo, contra ela e o cantor Djavan, nesta segunda-feira (15/11). 

Pelo Twitter, Sérgio Camargo compartilhou fotos dos dois artistas usando a camiseta do movimento "Imagine a dor, adivinhe a cor". Na legenda, o chefe da instituição,  que tem como missão a promoção e preservação da cultura negra e afro-brasileira, afirmou que os negros não sofrem nenhuma dor devido a cor da pele, chamou os dois artistas de "desocupados" e ainda disse que os dois são "pretos vergonhosos". "Não existe nenhuma dor (angústia) exclusiva e específica dos negros por causa da cor da pele. Quem acredita nisso é racista ou um completo imbecil. As emoções dos negros são comuns a todos os seres humanos. O monopólio racial do sofrimento é uma invenção de artistas desocupados!", afirmou. 

Em resposta, Zezé Motta usou o Twitter nesta terça-feira (16/11) para fazer um longo desabafo. Em uma sequência de tuítes, a atriz lamentou ter sido chamada pela pessoa que ocupa o mais alto cargo na Fundação Palmares de "preta vergonhosa". "O paraíso meu povo, realmente não é aqui não", disse.

Em seguida ela explicou a Sérgio Camargo que existe sim uma dor ancestral de todo o povo negro que não é "alienado". "O ato de um "alienado", compactuar com o aviltamento de artistas que sempre lutaram pela preservação e o respeito à nossa história e às nossas referências, nos leva a resistir ao fato da nossa Fundação Palmares, estar sob a sua tutela", criticou o presidente da fundação.

Por fim, Zezé Motta disse que luta por um país melhor, sem retrocessos e que respeite seu povo. "Temos sim, uma dor ancestral, uma luta que, pelo visto, não vai acabar tão cedo, devido a "contribuição nefasta" de certos tipos, que só contribuem para um retrocesso que só interessa ao jogo da podridão que só favorece aos jogos de interesses", destacou.

Depois da resposta de Zezé Motta e da indignação com as falas na redes sociais, Sérgio Camargo ainda fez outros posts sobre o mesmo assunto. Em uma publicação, compartilhou uma foto de Caetano Veloso, também usando a camiseta da campanha, e disse que não veio ao mundo para ser "escravo mental do Caetano", a quem chamou de "falso grande artista" e "babaca".

Sérgio Camargo ainda chamou o Dia da Consciência Negra, celebrado no próximo sábado (20/11), de "dia da consciência vitimista negra". O presidente da instituição ainda compartilhou um trecho de uma matéria publicada pelo Correio que lembrava críticas de Zezé Motta a ele.

Pelas redes sociais, os dois artistas receberam inúmeras mensagens de apoio e de exaltação da importância deles. 

Na segunda (15/11), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Zezé Motta relatou ataques racistas que sofreu ao longo da carreira e como enfrentou o processo de embranquecimento que passou.

Imagine a dor, adivinhe a cor

A campanha é a união de 27 instituições brasileiras ligadas aos direitos humanos e aos direitos civis e conta com a participação de mais de 13 mil pessoas que se reúnem para discutir pautas antirracistas.

 

 

Mais uma polêmica...

As ofendas de Sérgio Camargo aos artistas é mais uma de uma série de polêmicas que o presidente da Fundação se envolveu desde que assumiu o cargo. Em agosto, o chefe da instituição foi denunciado por 16 servidores por assédio moral, perseguição ideológica e discriminação.

Entre outras polêmicas, Sérgio Camargo já xingou Zumbi dos Palmares, chamou a cantora Alcione de barraqueira e disse que o movimento negro é uma "conjunto de escravos ideológicos de esquerda".

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