Energia

Brasil vive uma estagnação no setor de eficiência energética

A ideia de que há um trabalho para desenvolver a eficiência energética é a principal vilã para não se avançar com o tema no pais, que gera consequências principalmente para as micro e pequenas empresas

Tainá Andrade
postado em 22/11/2021 13:10 / atualizado em 22/11/2021 13:10
 (crédito: Ronaldo de Oliveira/CB)
(crédito: Ronaldo de Oliveira/CB)

Em uma conversa com especialistas do Instituto Clima e Sociedade (ICS) e do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), realizada a manhã desta segunda-feira (22/11), foi constatado que o Brasil passa por uma estagnação do setor de eficiência energética há pelo menos 20 anos.

Para Kamyla Borges, do ICS, isso ocorre porque há um mito de que houve algum avanço nesse tema, mas para efetivamente implantar medidas relacionadas ao tema é preciso começar com uma desmistificação. Esse seria um dos caminhos para conter a crise energética que o país atravessa.

Kamyla explicou que o primeiro passo seria o governo identificar onde estão as potencialidades para aprofundar nas ações. “O que se tem hoje são várias políticas confusas, atrapalhadas”, definiu. Ela citou a política de edificações, que envolve um esforço para inserir o setor da construção civil e a suspensão de medidas voluntárias dentro do setor industrial – que é um dos maiores consumidores de energia -, como redução de volume, resposta e demanda.

Para ela, a decisão foi um erro e as consequências, mais uma vez, recaíram sobre o menor dentro da escala produtiva, ou seja, as micro e pequenas empresas (MPE). De acordo com Teresa Liporace, do ICS, isso impacta diretamente na retomada da economia, pois lembrou que pequenos negócios, assim como os consumidores não tem a possibilidade de migrar para o mercado aberto – que seria uma alternativa de contornar o problema ao deixar de pegar o produto direto com as concessionárias.

Em um estudo chamado “A hora e a vez da eficiência energética”, realizado entre as duas instituições, os especialistas citam medidas estruturais, de alívio da crise hídrica e que contribuiriam para resiliência do sistema a médio e longo prazo, uma delas é sobre a otimização para melhor aproveitamento energético em hospitais. Esse foi um projeto aberto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para consulta pública, em 2019, e foi abandonado pelo governo.

"Isso mostra a troca de prioridades do governo. Quanto essas medidas estão desconectadas de setores mais amplos, de políticas reestruturastes." Na visão de Teresa, a eficiência energética tem dois resultados fundamentais: reverte para a economia o dinheiro da economia que é feito e também ajuda no desenvolvimento social, porque gera empregos.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

CONTINUE LENDO SOBRE