Vacinação

Perguntas em consulta de vacinas para crianças são inadequadas, dizem especialistas

A pasta publicou questionário com perguntas que, segundo especialistas, foram mal elaboradas e podem gerar ainda mais hesitação vacinal entre os pais e responsáveis

Maria Eduarda Cardim
postado em 25/12/2021 06:00
 (crédito: Myke Sena/MS)
(crédito: Myke Sena/MS)

Em mais uma tentativa de dificultar o acesso à vacinação contra a covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde, desta vez, tenta atrapalhar o caminho do imunizante até o braço das crianças de 5 a 11 anos. Ao colocar no ar uma consulta pública, aberta até 2 de janeiro, sobre a vacinação desse grupo com a vacina da Pfizer, já autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a pasta publicou um questionário com perguntas que, segundo especialistas, foram mal elaboradas e podem gerar ainda mais hesitação vacinal entre os pais e responsáveis.

A pasta questiona se o cidadão concorda com a vacinação do público infantil de forma não compulsória conforme propõe o Ministério da Saúde e traz ainda perguntas sobre a não obrigatoriedade da apresentação da carteira de vacinação para que as crianças frequentem a escola. Em outro momento, o formulário, que enfrentou momentos de instabilidade na manhã de ontem, questiona se há concordância que o benefício da vacinação contra a covid-19 para a população pediátrica deve ser analisado, caso a caso, sendo importante a prescrição da vacina.

Para a médica pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Isabella Ballalai, o formulário acaba reforçando o movimento contra a vacinação de crianças. "A opinião de todos é que o questionário e as perguntas levam a um resultado que é o que o ministério pretende fazer. O ministro já disse que vai vacinar crianças com várias restrições", avaliou. Antes de liberar a consulta pública, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, havia informado que a pasta recomendará a imunização de crianças desde que estas tenham prescrição médica e que os pais assinem um termo de consentimento.

Para Ballalai, a necessidade de prescrição provoca medo desnecessário no brasileiro. "A gente viu isso acontecer com a vacinação contra covid de gestantes. A vacinação pública é de responsabilidade do ministério, o fato de se levar isso para uma consulta pública é uma estratégia para que a gente não tenha a vacinação e a adesão da população", afirmou.

Conass

Ao contrário do que indica o governo, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) informou ontem que "não será necessário nenhum documento médico" para recomendar que as crianças tomem a vacina quando a imunização deste grupo for iniciada no país. A carta assinada pelo secretário de saúde do Maranhão e presidente do Conass, Carlos Lula, é endereçada diretamente às crianças do Brasil.

"No lugar de dificultar, a gente procura facilitar a vacinação de todos os brasileirinhos. Quando iniciarmos a vacinação de nossas crianças, avisem aos papais e às mamães: não será necessário nenhum documento de médico recomendando que tomem a vacina. A ciência vencerá", afirmou o conselho em nota.

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