Guerra no leste europeu

CNBB: É preciso se manifestar com indignação sobre a guerra na Ucrânia

Segundo Dom Joel Amado, que abriu a Campanha da Fraternidade 2022 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nesta quarta-feira (2/3), o mundo está saindo da "pandemia para um pandemônio de guerra" no qual vai se "construindo um horizonte que nos assusta"

Cristiane Noberto
postado em 02/03/2022 11:47 / atualizado em 02/03/2022 11:48
 (crédito: CNBB/divulga?ao)
(crédito: CNBB/divulga?ao)

Na abertura da Campanha da Fraternidade 2022 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ocorrida na manhã desta quarta-feira (2/3), Dom Joel Amado, secretário-geral da organização, refletiu ser preciso trabalhar pela paz e que, "se há guerra, é preciso se manifestar com indignação”.

Ao ser questionado sobre a posição do governo brasileiro com relação ao conflito, o religioso afirmou que não se trata apenas de uma instância, mas, sim, que todos devem se posicionar claramente contra a guerra e a favor da paz.

“Há uma responsabilidade que é humana e é independente de qualquer coisa, que é a paz. Quando não é pela paz, nos desumanizamos. Isso se aplica a mim e a qualquer pessoa que não trabalhe pela paz. Não basta cruzar os braços e dizer: ‘Eu não contribuí com a guerra’. Se há guerra, é preciso se manifestar com indignação”, frisou.

Dom Joel também destacou que seria impossível, ilógico e desonesto tocar no assunto fraternidade e não citar a dor e o sofrimento da Ucrânia, a quem a Igreja se solidariza. De acordo com o apóstolo, não é uma questão apenas da CNBB ou de uma pessoa ou outra, mas de toda a Igreja.

“Temos (de ouvir) com toda clareza o que o Papa (Francisco) diz: 'Quem faz a guerra, esquece a humanidade. E todas as partes envolvidas se abstêm de qualquer ação'. Ele ainda é mais duro e afirma que é uma insensatez diabólica e que não pode ser respondida além da paz e fraternidade. Hoje, a Igreja clama ao Brasil tanto pela paz, além de verdade e cidadania. Estamos precisando nos educar pela paz e fraternidade”, falou.

Educação

Ao fazer um paralelo com a campanha deste ano, cujo tema é “Fraternidade e Educação”, sob o lema bíblico extraído de Provérbios 31, 26: “Fala com sabedoria, ensina com amor”, Dom Joel também apontou que o mundo está saindo da “pandemia para um pandemônio de guerra” no qual vai se “construindo um horizonte que nos assusta”.

“Por isso, quando a gente trabalha o tema da educação pela terceira vez, de algum modo, sentimos que são sintomas de uma sociedade enferma que procura se reconstruir de costas. Nesse horizonte de reconstrução do mundo, há uma responsabilidade sobre todos nós. Há uma hipoteca de fraternidade sobre todos nós: religiosos, governantes, profissionais de comunicação, jornalistas, as famílias. Não há uma especificidade ou reserva de espaço para uma instância, mas, juntos, precisamos reencontrar, reconstruir esse mundo novo. Há uma linha tênue entre educação formal, com a família, onde todos nós juntos precisamos repensar esse mundo. Há muitos dados preocupantes. Pela terceira vez, a campanha volta para o tema da educação, que abranja todos os aspectos do ser humano que são multifacetados”, disse.

Ao final de sua fala, Dom Joel ainda apontou a importância de se iniciar os processos. “É uma caminhada, que não pode terminar na Páscoa, no final do ano, mas estar a todo momento vigilante para que o mundo não seja envolvido em guerra, outras coisas que nos envergonham", concluiu.

 

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