Violência

Pelo menos 19 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo em 2022

Relatório preliminar da Comissão Pastoral da Terra aponta que 15 das mortes ocorreram na Amazônia Legal e a maioria das vítimas eram indígenas

Thays Martins
postado em 17/06/2022 09:40
 (crédito: NORBERTO DUARTE / AFP)
(crédito: NORBERTO DUARTE / AFP)

Pelo menos 19 pessoas já morreram em 2022 em conflitos no campo, de acordo com relatório preliminar do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino da Comissão Pastoral da Terra (CPT). A título de comparação, durante todo o ano de 2021, foram registrados 35 assassinatos em conflitos. O número já representava 75% a mais do que em 2020.

De acordo com os dados preliminares, dos 19 casos registrados este ano, 15 aconteceram na Amazônia Legal e, a maioria, dos mortos são indígenas. Os dados não levam em conta os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Do Phillips. 

O relatório mostra que até maio, cinco indígenas e dois quilombolas foram mortos. Além disso, também foram assassinatos três ambientalistas, cinco sem terras, dois assentados e dois pequenos produtores rurais. Os crimes ocorreram no Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rondônia e Roraima. 

De acordo com a CPT, os casos refletem uma situação cotidiana que os povos do campo, das águas e das florestas têm enfrentado no Brasil. "É reflexo da impunidade frente aos crimes no campo, mas não só. Está relacionada também ao amplo processo de retirada de direitos sociais, territoriais e ambientais que vivenciamos no Brasil, com aprofundamento após as eleições de 2018", diz nota.

Ao lamentar a morte de Bruno e Dom, a comissão destacou a grave situação de violência enfrentada pela Amazônia. "O grave crime que vitimou Bruno e Dom escancara o que a CPT vem denunciando nos últimos anos: a Amazônia é o palco onde se concentra o maior número de conflitos e de violências contra os povos originários e tradicionais que ali vivem, e sobre os sem-terra que buscam um pequeno espaço para sobreviver do seu trabalho", afirma. 

Dom e Bruno 

Nesta quarta-feira (15/6), Amarildo da Costa Oliveira, o "Pelado", confessou envolvimento com o assassinato de Dom e Bruno. Ele apontou o local onde estariam enterrados os corpos. Os restos mortais foram trazidos para Brasília para passarem por perícia nesta quinta. 

Bruno e Dom desapareceram em 5 de junho durante uma viagem de 70km no Lago do Jaburu. Os dois foram vistos pela última vez às 6h daquele dia.

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