MEDICAMENTO

Usuário reclama de dificuldade em trocar Losartana de lote com impureza

Usuário do medicamento, que é um dos mais utilizados no Brasil para tratar insuficiência cardíaca, diz que tentou fazer a troca do lote com o laboratório Biolab e não conseguiu

Aline Brito
postado em 05/07/2022 22:44 / atualizado em 05/07/2022 22:46
 (crédito: Reprodução/Freepik - aleksandarlittlewolf)
(crédito: Reprodução/Freepik - aleksandarlittlewolf)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em 23 de junho, a interdição e o recolhimento de lotes de medicamentos contendo o princípio ativo losartana, que é um anti-hipertensivo e também um dos mais utilizados no Brasil para tratar insuficiência cardíaca. Desde então, usuários do remédio que adquiriram os lotes contendo a impureza "azido" enfrentam dificuldades para fazer a troca dos comprimidos.

Allan Aor Andrade, 44 anos, utiliza a Losartana diariamente para hipertensão e entrou em contato com o Correio para denunciar a dificuldade em conseguir a substituição de medicamentos do lote 1069675, da Biolab, que ele adquiriu antes da determinação da Anvisa. “O procedimento informado pela Anvisa é que eles deveriam recolher os lotes e substituir os remédios de quem adquiriu os lotes com problema. Entretanto, o laboratório Biolab está agindo de forma negligente e omissa. Quem adquiriu o lote com problema, como eu, que já estou na segunda caixa, tem que ouvir que pode continuar fazendo uso do remédio”, relatou.

O administrador procurou a farmacêutica Biolab em 26 de junho para solicitar a troca do medicamento, mas o atendimento ao cliente informou que ele poderia continuar a tomar o remédio. Primeiramente, Allan entrou em contato com a empresa por telefone. Depois de ser informado sobre a impossibilidade de substituir o lote que adquiriu, ele contatou a Biolab por e-mail e foi informado que “qualquer alteração de tratamento e medicamento só deve ser feita com orientação médica”.

“Depois da negativa da Biolab eu procurei a Anvisa e eles me disseram que o laboratório deveria, sim, substituir o remédio. Só que a Biolab está se eximindo da responsabilidade, ela não vai fazer a substituição do medicamento. Uma caixa com 90 comprimidos custa R$ 120, é um remédio caro e, assim como eu, inúmeras pessoas adquiriram o medicamento com problemas”, reclamou Allan.

Para além do prejuízo financeiro, a preocupação dos usuários do medicamento que fizeram uso do lote com impurezas é ter algum efeito colateral que prejudique a saúde.

Anvisa recomenda não interromper tratamento 

O Correio procurou a Biolab, que informou que está cumprindo a medida preventiva de "recolhimento e suspensão da comercialização e distribuição de alguns lotes dos seus medicamentos que contenham losartana potássica". No entanto, a farmacêutica disse que o processo é de responsabilidade dos fabricantes do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), que tiveram de modificar a rota de síntese visando atender os novos parâmetros exigidos pela Anvisa. Confira a nota na íntegra. 

Já a Anvisa diz que a orientação é de que os pacientes entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do laboratório — como a Biolab — para obterem informações sobre a troca do lote do medicamento afetado pelo recolhimento ou interdição. Caso haja dificuldade nesse processo, a recomendação é de que sejam acionados os órgãos de controle e defesa do consumidor. A Biolab é citada na lista de empresas com lotes a serem recolhidos. 

No entanto, a Anvisa diz que usuários do medicamento não devem interromper o tratamento e podem continuar tomando os remédios, mesmo nos casos de estarem em um dos lotes afetados.

Logo após a recomendação da Anvisa, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) também emitiu nota defendendo "não haver fatos ou evidências que recomendem a modificação da estratégia terapêutica no que tange aos medicamentos pertencentes a essa classe farmacológica", mas ressalta que "os lotes mencionados em comunicado da Anvisa devem ser substituídos e que alterações na estratégia de tratamento devem ser feitas pelo médico assistente, sempre respeitando o binômio risco-benefício".

Confira a nota da Biolab na íntegra:

A Biolab Farmacêutica informa que está cumprindo a medida preventiva determinada pela Resolução-RE
2.031, de 22.06.2022, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de recolhimento e suspensão da comercialização e distribuição de alguns lotes dos seus medicamentos que contenham losartana potássica.

Tal fato é de responsabilidade dos fabricantes do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) que tiveram de modificar a rota de síntese visando atender os novos parâmetros exigidos pela Anvisa.

A empresa comunica que os lotes disponíveis no mercado que não constam na resolução estão dentro dos
novos limites preconizados pela Agência reguladora. A Biolab enfatiza que não haverá ruptura no fornecimento de seus produtos, não afetando a prescrição médica, o tratamento e controle da hipertensão arterial e insuficiência cardíaca dos pacientes.

A Anvisa esclarece que losartana é um medicamento seguro e eficaz para o tratamento de hipertensão e
insuficiência cardíaca. “Não há risco imediato em relação ao uso dessa medicação”, como consta na publicação da Anvisa.

Adicionalmente, a própria Anvisa recomenda que os pacientes continuem tomando o medicamento, pois “a interrupção do tratamento da hipertensão arterial e da insuficiência cardíaca pode produzir malefícios instantâneos”, além de indicar que conversem com seus médicos em caso de dúvida ou necessidade de orientação.

A Biolab deixa o canal do SAC 0800-724-6522 para informações adicionais. E reforça o compromisso com os mais altos padrões de qualidade, mantendo a eficácia e segurança dos seus medicamentos colocados à
disposição da população brasileira.

São Paulo, 23 de junho de 2022

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