TRAGÉDIA

Perícia em corpo exumado de enteada confirma envenenamento; madrasta é suspeita

O processo de análise do corpo foi iniciado pouco tempo depois da prisão de Cíntia, após ser denunciada pela mãe de Fernanda por tentativa de envenenamento do irmão da vítima

Correio Braziliense
postado em 05/07/2022 23:56
 (crédito: Reprodução/redes sociais)
(crédito: Reprodução/redes sociais)

Pouco mais de um mês após a exumação do corpo da estudante Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, a perícia feita pelo Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro confirmou a suspeita de que a menina foi vítima de envenenamento, o que a levou a óbito em 27 de março, após 13 dias internada. A principal suspeita do crime é Cíntia Mariano Dias Cabral, madrasta de Fernanda, que está presa desde 21 de maio.

O processo de análise da fauna cadavérica — insetos que se instalam em cadáveres — de Fernanda foi iniciado na primeira semana de junho, pouco tempo depois da prisão de Cíntia, decretada após a mulher ser denunciada pela mãe de Fernanda por tentativa de envenenamento do irmão da vítima, também enteado da suspeita, em 15 de maio. As informações são do G1.

A perícia feita no caso de Fernanda foi separada em duas análises: a toxicológica, com a análise da fauna cadavérica, e outra a partir do cruzamento de dados obtidos no hospital que atendeu Fernanda. O prontuário da vítima, atendida no hospital Albert Schweitzer, afirmava que ela tinha passado por intoxicação exógena, produzida por algum inibidor da enzima acetilcolinesterase.

Essa inibição é causada por carbamatos, conhecido como chumbinho e pesticidas. Quem ingerir as substâncias apresentará alteração cognitiva, fraqueza muscular e atividade secretória excessiva. Tanto Fernanda quanto o irmão mais novo dela apresentaram esses sintomas ao procurarem atendimento médico.

"Feijão amargo e com pedrinhas azuis": irmão de Fernanda percebeu diferença em alimento

Pouco menos de um mês após a morte da filha, Jane Carvalho Cabral viu o filho mais novo voltar para casa e apresentar desconfortos como Fernanda. Ele contou para a mãe que estava preocupado porque comeu um “feijão amargo e com pedrinhas azuis” na casa de Cíntia. Ele reclamou para a suspeita sobre o gosto do alimento e, de acordo com Jane, ela “arrancou o prato da mão dele, colocando mais feijão e entregando para ele depois”.

Em casa, o menino queria vomitar e após 40 minutos a situação se agravou. Quando chegou ao mesmo hospital que a irmã passou os últimos dias de vida, o Albert Schweitzer, o garoto já estava com “a língua enrolada, babando e com a pele branca”, informou a 33ª Delegacia de Polícia em Realengo.

O menino passou por uma lavagem estomacal e também foi submetido a um exame de sangue, que revelou níveis elevados de chumbo no organismo dele. Jane procurou a polícia no mesmo dia e fez a denúncia contra Cíntia.

Cíntia foi presa em 21 de maio e está no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, e, em 10 de junho, teve a prisão temporária prorrogada pela Justiça em mais 30 dias, após um laudo complementar do IML identificar uma intoxicação por compostos carbofurano e terbufós no material gástrico do irmão de Fernanda. O documento afirma que “caso a vítima não tivesse sido submetida a tratamento imediato, como ocorreu, provavelmente teria evoluído para o óbito”.

‘Monstro’, define o pai de Fernanda sobre a ex-companheira

Fernanda morava com o pai, Adeílson Cabral, e a madrasta. Em entrevista ao Fantástico, o homem afirma que Cíntia implicava com Fernanda “às vezes, pelo dinheiro, porque a Fernanda gostava de viajar e eu às vezes financiava essa viagem, que é uma coisa normal de pai”.

Em 15 de março, após o jantar, Fernanda passou mal, com a vista embaçada e, logo depois, começou a babar e a ficar paralisada. Adeílson levou a filha ao hospital, que foi internada, às pressas, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), teve uma parada cardíaca e ficou intubada por 12 dias. No 13º dia, Fernanda morreu.

Em todo o tempo, Adeílson afirma que Cíntia o apoiou e tentava dar esperança a ele. “Falava que ela ia ficar bem, ‘vai melhor, hoje deve estar melhor’. Uma coisa normal de uma esposa que estava acompanhando o meu sofrimento”, lembrou Adeilson. Hoje, o homem classifica a ex-companheira como “monstro”.

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