CARNAVAL BH 2024

Carnaval de Belo Horizonte é destaque em matéria de jornal inglês

A publicação britânica classifica a capital como o novo destino de Carnaval do Brasil e destaca as peculiaridades da nossa festa

Carnaval de BH -  (crédito:  Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Carnaval de BH - (crédito: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Mariana Costa — Estado de Minas
postado em 10/02/2024 09:37

O carnaval de Belo Horizonte é tema de um artigo da seção Travel do site da BBC, renomado jornal inglês. No texto, o repórter Jacob Mardell diz que, embora jovem, o carnaval da capital rapidamente se tornou um dos mais populares do país e hoje é o novo destino para quem quer curtir a folia. Ele cita que, neste ano, a festa deve levar 5,5 milhões de pessoas às ruas.

Mardell lembra que o carnaval é celebrado em outros países, mas em nenhum outro lugar com tanto entusiasmo como no Brasil. A festa também é um grande negócio: em 2023 contribuiu com mais de R$ 8,1 milhões para a economia brasileira. O repórter ressalta que quase metade deste valor fica no Rio de Janeiro, cidade que atrai a maior parte dos turistas internacionais. Cita que Salvador e Recife também têm uma forte tradição carnavalesca e que, mais recentemente, São Paulo também se tornou um destino importante para quem quer curtir a folia.

 “Mas neste ano, os brasileiros mais informados estão indo para Belo Horizonte”, afirma. Mardell descreve que a capital é uma cidade planejada, construída há 127 anos e conhecida por sua boemia e clima descontraído. Porém, o carnaval por aqui é levado muito a sério. Ele cita que, neste ano, o número de blocos vai ultrapassar os cadastrados no Rio, e a expectativa é que a festa injete R$ 1 bilhão na economia local.

“Só em anos mais recentes é que Beagá surgiu como um destino popular para os carnavalescos”, afirma Marina Pisa, organizadora do bloco Pisa na Fulô, entrevistada para a matéria. "As pessoas costumavam sair da cidade – estava deserta."

Segundo ela, BH costumava celebrar o carnaval no início de sua história, no fim do século XIX. Mas na década de 1980, os desfiles morreram por falta de recursos, e só em 2009, o Carnaval aqui “renasceu”.

 Outra entrevistada, Natalia Becattini, musicista de um dos blocos, lembra que esse renascimento aconteceu em um político. “Foi um processo político, uma rebelião de esquerda.”

 

Protesto contra ex-prefeito

O repórter explica que a retomada do Carnaval de BH começou como parte de um movimento de protesto contra o ex-prefeito Márcio Lacerda, com a proibição da utilização da Praça da Estação como espaço festivo. Ele descreve que os manifestantes ocuparam a área vestindo biquínis e carregando os seus alto falantes.

Mardell diz que, ironicamente, a prefeitura começou a se envolver no Carnaval e que isso não deixou alguns blocos confortáveis.

“É como se estivessem tentando se apropriar de um evento espontâneo e popular para padronizar de alguma forma o nosso carnaval”, disse Fernanda Polse, integrante do Truck do Desejo, entrevistada pelo repórter.

O artigo destaca também o investimento em infraestrutura feito pelo governo de Minas. “Também gastou mais de R$ 6 milhões em publicidade em todo o Brasil com o slogan ‘Sinta-se em casa nas ruas de Belo Horizonte’. Num movimento provavelmente calculado para enfurecer os moradores do Rio e garantir que o anúncio se tornasse viral, o cartaz foi até colado em outdoors no metrô do Rio”, cita Mardell.

 

Comparação

O repórter também entrevistou Gustavo Jreige, apresentador da Festa VHS, uma festa LGBTQIAPN+ popular em São Paulo. Geralmente, ele passa o Carnaval na capital paulista, mas neste ano a folia será em BH. Jreige lista os atrativos da festa na cidade: é bem organizada e ao mesmo tempo grande. O folião lembra que a maioria dos blocos do Rio é organizada espontaneamente e pode ser encerrada pela polícia.

“Quando estive lá em 2019, passei mais tempo tentando encontrar blocos do que realmente curtindo”, disse Jreige. Em BH, os blocos seguem um cronograma, mas não são tão restritos quanto em São Paulo, opina. Para Jreige, o Carnaval de São Paulo se expandiu a ponto de “perder a essência”, enquanto o de BH não existe há tempo suficiente para se tornar excessivamente arraigado ou comercializado.

Dois outros fatores importantes para a popularidade da folia belo-horizontina, segundo o repórter, são o custo e a segurança. Em comparação com as festas de Rio e de Salvador, a de BH ainda é
relativamente acessível. “E apesar de ser uma cidade com cerca de três milhões de habitantes, Belo Horizonte mantém uma vibração de cidade pequena”, destaca Mardell.

 O repórter acrescenta ainda que a capital mineira se tornou famosa por atrair visitantes de outros estados que desembarcam aqui para participar de festivais e eventos culturais.

 

O coração da vida noturna

O artigo apresenta aos leitores outra marca famosa dos belo-horizontinos: os bares. Ele explica que eles são um estabelecimento “no coração da vida noturna” dos moradores. Descreve que nos botecos são comuns cadeiras e mesas de plástico, sendo obrigatório servir petiscos como a coxinha, que ele define como um “grande croquete em forma de lágrima”, além de grandes garrafas de cerveja gelada.

 “A cultura do boteco de Belo Horizonte é representada no Carnaval pelos diversos drinks criados na cidade e associados aos blocos. O mais famoso deles é o Xeque Mate – combinação de cachaça, mate , guaraná e limão – que já ganhou fama em todo o Brasil”, conclui o repórter.

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