
A delegada recém-empossada Layla Lima Ayub foi presanesta sexta-feira (16/1), em São Paulo, sob suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações apontam que ela mantinha um relacionamento com Jardel Neto Pereira da Cruz, 28 anos, conhecido como Dedel ou Vrau Nelas, indicado pelas autoridades como um dos chefes da facção criminosa em Roraima e condenado por recrutar adolescentes para o crime organizado.
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Jardel foi preso em 2021, durante uma operação da Polícia Federal em Roraima. À época, ele era acusado de aliciar menores de idade para integrar uma facção criminosa. Em 2022, acabou condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto e deu entrada na Penitenciária Agrícola do Monte Cristo (Pamc), o maior presídio do estado.
Em maio de 2023, recebeu o benefício da saída temporária, mas não retornou à unidade prisional em outubro. Dois meses depois, em dezembro, foi recapturado no município de Marabá, no Pará. Atualmente, segundo informou a Secretaria da Justiça e da Cidadania de Roraima ao portal g1, Jardel cumpre pena em liberdade condicional.
Natural de Santa Inês, no Maranhão, ele é citado em inquéritos da Polícia Federal como responsável por fazer apologia ao PCC nas redes sociais. Em diversas publicações, aparecia fazendo o gesto conhecido como "Tudo 3", referência direta à facção, além de exibir tatuagens associadas ao grupo, como o símbolo do yin-yang. Além disso, há o uso frequente da expressão "Forte Leal Abraço", termo identificado pela polícia como forma de tratamento entre integrantes do PCC.
Em uma das postagens analisadas pela PF, Jardel escreveu frases com conteúdo violento e referências explícitas a assassinatos. A investigação ainda sustenta que ele teria ordenado que um adolescente de 16 anos, conhecido como "Bigode", cometesse um homicídio e praticasse atos de extrema crueldade contra a vítima. O jovem foi assassinado em 2023, aos 18 anos.
As autoridades também afirmam que o homem recebia armas para fortalecer ações da facção, cobrava maior violência dos líderes locais, inclusive contra integrantes do Judiciário e forças de segurança, e negociava bens roubados em troca de drogas. Relatórios de inteligência indicam que sua atuação se concentrava em bairros da zona Oeste de Boa Vista, com presença frequente no Conjunto Habitacional Vila Jardim.
Apesar do histórico criminal, nas redes sociais ele se apresenta como artista de funk, utilizando o nome MC Dedel. No Instagram e no Facebook, ele alternava publicações com letras românticas e mensagens religiosas com outras que, segundo a polícia, fazem apologia à facção criminosa, como a frase “atrás tem que ter o 3”. Atualmente, o perfil do artista registra nove ouvintes mensais na plataforma Spotify.
Em dezembro de 2025, no Facebook, Jardel declarou ser casado, morar em São Paulo e atuar como cantor e compositor. Imagens publicadas mostram momentos de lazer, consumo de drogas e ostentação de armas de fogo.
Quem é a delegada presa?
Layla Lima Ayub é ex-advogada criminalista e tomou posse como delegada de polícia em São Paulo em 19 de dezembro de 2025, durante cerimônia no Palácio dos Bandeirantes. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram Jardel acompanhando a solenidade.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, apenas nove dias após assumir o cargo, Layla teria atuado irregularmente como advogada na defesa de um integrante do PCC preso em flagrante em Rondon do Pará. A prática é proibida pelo Estatuto da Advocacia e por normas estaduais, que vedam a delegados o exercício da advocacia privada.
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) suspeitam ainda que Layla utilizava o cargo para favorecer interesses da facção, tendo acesso a informações sigilosas de inquéritos e bancos de dados restritos. As investigações também apuram a compra de uma padaria em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, com dinheiro de origem ilícita, supostamente registrada em nome de um laranja.

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