Maranhão

Tecnologia de ponta, acesso precário: o desafio nas buscas por crianças no MA

Após nove dias, buscas em Bacabal seguem sem avanço em área de mata fechada

Desde domingo (4/1), os pouco mais de 100 habitantes do povoado de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão, convivem com uma rotina que nunca existiu: hélices no céu, passos no mato, motores na água. A movimentação entra no 9º dia e faz parte da megaoperação de buscas pelos irmãos Ágata Isabelle, 6 anos, Allan Michael, 4, desaparecidos depois de sair para brincar.

Em Bacabal, influenciadores e jornalistas de Bacabal transmitem em tempo real o trabalho das forças de segurança. Nos vídeos e postagens, a operação é descrita como a maior já registrada no Estado, com a união do governo municipal e estadual.

Sob anonimato, uma profissional da segurança que atua nas buscas desde domingo detalhou um pouco do trabalho. Por ordem da Secretaria de Segurança, os agentes estão restritos ao repasse de informações, até que as crianças sejam encontradas.

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Às 19h50 desta segunda-feira (12/1), o município registrava temperatura de 32ºC, com sensação térmica de 35ºC. À tarde, a máxima chegou a 35ºC. Exaustos de passar o dia debaixo do sol estridente, os mais de 400 membros das forças de segurança e 600 voluntários retornavam às bases de apoio. A fala se repetia como nos dias anteriores. “Nenhuma notícia. Tudo na mesma”.

As duas bases foram instaladas em pontos estratégicos — uma no povoado e outra próximo à área onde o primo dos irmãos, Wanderson Kauã, 8, foi encontrado, na quarta-feira (7/1). O sobrevivente foi localizado fraco, debilitado e abatido. Ele passa por acompanhamento psicológico para auxiliar na coleta de informações que levem à elucidação do caso.

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Restrição

À noite, as buscas continuam de forma diferente. Os agentes permanecem na base à espera de informações e saem a qualquer hora da madrugada para averiguar. Até o momento, todas as denúncias recebidas são inverídicas. “As desinformações estão prejudicando a investigação e a varredura”, disse a profissional de segurança.

Segundo ela, todo o perímetro ao redor do quilombo já foi percorrido. O limite não é a falta de tecnologia, mas o acesso. Veículos só conseguem chegar até o povoado São Sebastião dos Pretos. Dali em diante, não há estrada. A busca segue a pé ou em motocicletas, em uma área de mata fechada.
“No começo, criamos a esperança de achar os demais com vida, até porque ele (Kauã) nos relatou que eles (irmãos) estavam com muita fome e sede e não aguentaram ir com ele até conseguir achar alguém”, desabafou a profissional.

A Polícia Civil do município trabalha com várias linhas de investigação. Os detalhes, no entanto, não foram repassados.

 

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