O Brasil registrou, em 2025, uma média de 66 desaparecimentos de crianças e adolescentes por dia, segundo dados oficiais consolidados no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça. Ao longo do ano, o país contabilizou 23.919 registros de pessoas com até 17 anos desaparecidas, número que escancara a dimensão cotidiana e persistente do problema.
O volume de ocorrências cresceu 8,27% em relação a 2024, quando o país teve 22.092 desaparecimentos de crianças e adolescentes. Os dados indicam que o fenômeno não apenas persiste, como avança. Os registros abrangem situações diversas, que vão desde conflitos familiares e evasão do lar até casos potencialmente relacionados à violência, à exploração ou a outras formas de vulnerabilidade.
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A Lei 13.812/2019, que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, define como desaparecida toda pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa ou do tempo decorrido desde o último contato.
Os dados também mostram que meninas e adolescentes do sexo feminino concentram a maior parte dos registros (61,2%). Quando se analisam os desaparecimentos em todas as faixas etárias, a proporção se inverte: 59% dos registros, independentemente da idade, envolvem pessoas do sexo masculino.
Entre as unidades da Federação, Roraima apresentou a maior taxa de pessoas com menos de 17 anos desaparecidas por 100 mil habitantes, com 40 registros. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul (28) e Amapá (24).
Do total de crianças e adolescentes desaparecidas em 2025, as autoridades localizaram 64,61% dos casos, o equivalente a 15.455 pessoas. Embora parte das ocorrências seja solucionada ao longo do tempo, o Ministério da Justiça ressalta que o número diário de registros permanece elevado.
Ferramentas como o sistema Alerta Amber, voltado a situações de risco iminente, ainda têm uso limitado no país, o que reacende o debate sobre a necessidade de respostas mais rápidas, integradas e eficazes diante de um cenário em que 66 crianças e adolescentes desaparecem por dia no Brasil.
Caso do Maranhão
Essa realidade ganhou contornos ainda mais concretos nas últimas semanas com o desaparecimento dos irmãos Ágata Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no interior do Maranhão. As crianças desapareceram em 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma área de mata no povoado São Sebastião dos Pretos, em Bacabal.
Desde então, o caso mobiliza uma operação intensa de busca, com a atuação de centenas de profissionais de segurança, militares e voluntários. As equipes utilizam drones, cães farejadores e apoio aéreo e terrestre para tentar localizar as crianças em meio à vegetação densa e às trilhas irregulares da região.
Política nacional e orientações às famílias
Diante de números tão elevados, o Ministério da Justiça e Segurança Pública mantém a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, que busca agilizar a resposta aos casos e oferecer suporte às famílias desde os primeiros momentos do desaparecimento.
A política inclui o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), que integra informações de ocorrências em todo o país e facilita o cruzamento de dados para a localização de pessoas desaparecidas, inclusive crianças e adolescentes.
O ministério também publicou uma cartilha com orientações sobre os primeiros passos a serem adotados, como o registro imediato do boletim de ocorrência, que pode ser feito presencialmente em uma delegacia da Polícia Civil ou de forma virtual. A recomendação central é comunicar o desaparecimento no menor tempo possível e fornecer o máximo de informações disponíveis.
Para prevenir o desaparecimento de crianças, a cartilha apresenta orientações como manter atenção redobrada em grandes eventos ou multidões, definir pontos de encontro em locais públicos, orientar as crianças a memorizar nome completo, dados dos responsáveis e telefones importantes, além de acompanhar o uso da internet e das redes sociais. O ministério também recomenda providenciar desde cedo documentos pessoais da criança, como RG ou CPF.
Não espere 24h
Voltada à conscientização sobre o desaparecimento de crianças, a campanha “Não espere 24h” busca mobilizar, sensibilizar, informar e alertar a população, além de ampliar a visibilidade do tema.
O principal objetivo da campanha é desconstruir a crença de que é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento de uma criança. A iniciativa, estruturada nas redes sociais e desenvolvida em parceria com influenciadores, reforça que a notificação imediata às autoridades aumenta as chances de localização.
O ministério orienta que a família registre o desaparecimento o mais rapidamente possível e forneça informações como nome completo, idade, características físicas, roupas usadas no momento do desaparecimento e as circunstâncias do ocorrido. Esses dados são considerados essenciais para a triagem e as diligências iniciais.
A cartilha também alerta para a necessidade de cautela na divulgação de cartazes e pedidos de ajuda. A orientação é utilizar apenas os contatos oficiais fornecidos pela polícia, evitando a exposição de telefones pessoais da família, o que reduz riscos de trotes, golpes ou informações falsas que possam comprometer as investigações.
As informações divulgadas pelo Ministério da Justiça referem-se ao ano de 2025. O MJSP informou, no entanto, que, no momento da extração dos dados, os estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo ainda não haviam enviado seus dados de forma completa.
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