Alguns estados que tiveram mortes e casos por bebidas contaminadas por metanol estão em alerta neste carnaval para as bebidas adulteradas. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025, o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas. Outras 29 ocorrências ainda estão em investigação. No mesmo período, houve 25 óbitos confirmados, além de oito em investigação. Este ano, até 3 de fevereiro, foram confirmados sete casos e 13 estão sendo investigados.
Segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), de janeiro a agosto de 2025 foram apreendidas 185 mil garrafas de bebidas alcoólicas adulteradas durante operações de investigação e fiscalização no país.
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De acordo com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), 36% das bebidas alcoólicas do total comercializado no país são falsificadas, o que representou uma perda fiscal de R$ 85,2 bilhões. A entidade informou que, de janeiro de 2024 a janeiro de 2025, foram realizadas 1.587 operações contra produtos falsificados no Brasil.
Apesar do pior já ter passado, a ameaça do metanol continua. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) atualizou, no último dia 11, o balanço de casos relacionados à intoxicação. Agora, são 570 casos descartados. No total, foram confirmados 52 casos, sendo 12 óbitos.
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) estadual aconselha que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos e que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com selo fiscal, evitando opções de origem duvidosa e prevenindo casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco.
Sinais e sintomas de alerta
- Iniciais (até 6 horas após ingestão): dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa;
- Entre 6 horas e 24 horas: visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave;
- Em casos mais graves, o paciente pode evoluir para cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal, necrose de gânglios da base com tremor, rigidez e lentidão dos movimentos.
A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) registrou oito casos confirmados, incluindo cinco óbitos entre outubro e novembro de 2025. A pasta destaca que as bebidas destiladas de procedência duvidosa podem conter metanol ou outras substâncias impróprias para consumo.
"Desconfie de bebidas com preço muito abaixo do mercado. Não ingira misturas prontas vendidas em garrafas pet ou recipientes inadequados. Compre de estabelecimentos licenciados pela vigilância sanitária ou vendedores credenciados pela prefeitura. Latas lacradas são mais seguras", diz a Secretaria.
Na Bahia foram confirmados nove casos de intoxicação por metanol, três evoluíram para óbito, um residente em Ribeira do Pombal, um em Cansanção e outro em Juazeiro. A Secretaria da Saúde do estado (Sesab), em parceria com o Ministério da Saúde, informou que reforçou os estoques do antídoto para tratamento da intoxicação por metanol caso haja necessidade.
O estado do Rio de Janeiro não registrou casos nem mortes por metanol nas bebidas. Mesmo assim, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon estão nas ruas com o Laboratório Itinerante do Consumidor, que circula pelos blocos e no Sambódromo.
Com um laboratório portátil de alta tecnologia, o equipamento é capaz de testar, em tempo real, bebidas com indícios de falsificação. O aparelho reúne as fórmulas originais dos principais destilados do mercado e faz a comparação com amostras coletadas durante as fiscalizações.
Perigo
O metanol, um tipo de álcool industrial altamente tóxico, jamais deve ser ingerido, destaca Olivia Pozzolo, psiquiatra e pesquisadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). Segundo ela, quando o metanol entra no organismo é transformado pelo fígado em substâncias altamente tóxicas, como o ácido fórmico, que atacam o sistema nervoso central e são extremamente agressivas com o nervo óptico.
"Esse consumo pode provocar acidose metabólica grave, falência de órgãos vitais como rins e fígado, além de causar cegueira irreversível ou até o óbito. O risco é acentuado pelo fato de que doses muito pequenas, equivalentes a apenas três doses de um drink para algumas pessoas, já podem ser letais", afirma.
A principal recomendação da médica aos foliões é observar atentamente o preço, especialmente com destilados como uísque, gim e vodca, que são os alvos preferenciais de falsificação, pois se um combo ou garrafa estiver custando abaixo valor normal de mercado, é grande a chance de ser algo ilegal.
"Além disso, deve-se examinar com cuidado o rótulo em busca de erros ortográficos ou impressões borradas, verificar se o lacre da tampa está íntegro e sempre buscar vendedores credenciados ou locais de confiança, evitando aceitar bebidas já preparadas por estranhos ou misturas preparadas sem transparência sobre os ingredientes", acrescenta.
A especialista aconselha, ainda, que caso o folião ou alguém próximo apresente alterações na visão, como se estivesse vendo um "campo nevado", ou comece a ter dores abdominais muito fortes e confusão mental, é fundamental procurar um pronto-socorro ou hospital imediatamente, pois é um indício de ingestão de metanol.
O Ministério da Saúde alerta que as pessoas não esperem a confirmação para dar início ao tratamento. Olivia Pozzolo reforça que a agilidade na busca por socorro médico é o fator mais determinante, visto que os sintomas de intoxicação por metanol podem demorar entre 12 e 24 horas para se manifestar. "Se for possível, leve a garrafa ou uma amostra da bebida consumida para auxiliar o diagnóstico médico e informe as outras pessoas que compartilharam do mesmo produto para que busquem avaliação clínica, mesmo que ainda não apresentem sinais de mal-estar", recomenda. (Com Agência Brasil)
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
