
Uma mulher trans de 29 anos foi torturada, ameaçada de morte e marcada com uma suástica nazista no sábado (14/3), em Ponta Porã (MS). Três pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no crime, incluindo o namorado da vítima e um casal para quem ela trabalhava.
Os agressores são Leonardo Duartes, 22 anos, que confessou o crime à polícia, e os patrões dela, Jackson Tadeu Vieira, de 38, e Laysa Leite Machinsky, de 25. Eles foram presos e levados à delegacia na manhã de domingo (15). Durante a tarde, a Justiça decidiu converter a prisão em flagrante para preventiva.
Em entrevista ao portal G1, a vítima contou que estava em casa quando o até então ex-namorado apareceu, e, após conversarem e reatarem o relacionamento, ele mencionou que os patrões queriam falar com ela, pois haviam questionado o motivo dela não ter mais comparecido ao trabalho.
Pouco depois, Laysa ligou pedindo que a vítima fosse até o imóvel buscar o dinheiro e cortar a grama da residência. Ao chegar ao local, ela foi levada a um escritório, onde encontrou o namorado e o patrão. Jackson teria a forçado a cheirar o conteúdo de um frasco, que aparentava ser sangue. Diante da recusa da mulher, as agressões começaram.
"Eles deram vários socos na minha cara, cotovelada, joelhada, murro no meu estômago, me bateram com um taco de sinuca e com um cabo de vassoura, apoiaram uma faca no meu pescoço. Eu vi tipo um anjo branco na minha frente e falei, é agora que eu vou morrer. Vi a morte de perto, gritava socorro e ninguém me ouvia. Chegaram a me perguntar se eu queria morrer em pé ou deitada", descreve.
Ela também conta que o trio utilizou uma faca quente para marcar seu braço com uma suástica nazista. "Nem tenho tatuagem no corpo e fui marcada por uma maldade humana. Eu tô com muita dor, tá tudo pesado pra mim. Eu não consigo dormir direito, eu fico apavorada, tenho pesadelo. Parece que estavam todos endemoniados. Ficavam dando risada", conta.
A mulher afirmou que chegou a tentar fugir, mas foi atingida por novos golpes. Após as agressões, foi liberada sob ameaça de morte caso denunciasse o caso. Em estado de choque, procurou ajuda na rodoviária e foi levada ao Hospital Regional de Ponta Porã, onde recebeu atendimento médico.
Os ferimentos estão presentes na cabeça, no olho e no braço e ela deverá passar por pelo menos três cirurgias, incluindo procedimentos para reconstrução da pele. Além do tratamento físico, ela também fará acompanhamento psicológico.
Em depoimento à polícia, Jackson Tadeu Vieira apresentou outra versão. Ele disse que havia pago antecipadamente por serviços que não teriam sido realizados e que, no dia do crime, houve uma discussão que evoluiu para agressões entre a vítima e o namorado. Segundo ele, o casal teria tentado intervir.
O suspeito também afirmou que o material encontrado no local seria um coágulo de um aborto de sua esposa. Ele não comentou sobre a marca feita no corpo da vítima.
O caso é investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM).
O Correio tentou contato com a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul e com o Tribunal de Justiça do Estado, mas não obteve respostas até a última atualização desta reportagem. Além disso, a equipe não conseguiu localizar a defesa dos acusados. O espaço segue aberto.

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