O Instituto Nacional do Câncer (Inca), a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ) e a AstraZeneca anunciaram, nesta terça-feira (1º/4), a realização de um estudo inédito para avaliar a viabilidade da implementação de um programa de rastreamento de câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS).
A cerimônia ocorreu no auditório do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, e visa construir evidências para uma diretriz nacional de detecção precoce, focada na redução da mortalidade. A iniciativa será financiada pela AstraZeneca.
O estudo será conduzido pelo Inca ao longo de dois anos, com a previsão de início para 2027, contando com a participação mínima de 397 pacientes, número que pode ser expandido. Os pacientes serão selecionados em colaboração com o Programa de Cessação da SMS-RJ, que possui cerca de 50 mil integrantes.
Seguindo consensos médicos brasileiros, o rastreamento será voltado para pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes (que pararam de fumar há no máximo 15 anos), com carga tabágica de 20 anos/maço ou mais — equivalente a fumar um maço por dia durante 20 anos.
Casos positivos serão encaminhados ao Hospital do Câncer I (HC I), unidade do Inca no Rio de Janeiro, seguindo protocolos de classificação Lung-RADS — sistema padronizado do Colégio Americano de Radiologia (ACR) para relatar resultados de tomografia computadorizada (TC) de baixa dose no rastreamento de câncer de pulmão.
A estratégia utiliza a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), técnica que, segundo evidências internacionais, pode reduzir a proporção de diagnósticos em estágios avançados de 90% para 30%. O rastreamento isolado por TCBD reduz a mortalidade por câncer de pulmão em 20%. Quando o rastreio é associado à cessação do tabagismo, a redução da mortalidade pode chegar a 38%.
Alta mortalidade
O estudo responde a um cenário crítico de saúde pública no Brasil, onde o câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer. Em 2024, o Atlas da Mortalidade do Inca registrou 32.465 óbitos por câncer de brônquios e pulmão. Esse total supera a soma das mortes por câncer de mama (20.849) e próstata (17.826) no mesmo período.
Atualmente, cerca de 84% dos casos no Brasil são identificados em estágios avançados. Isso resulta em uma baixa de sobrevida em cinco anos, de aproximadamente 5,2%. O Inca estima que o país terá cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, reforçando a necessidade de intervenções estruturadas como este novo modelo de rastreio.
