A Polícia Militar retirou, na madrugada deste domingo (10/5), estudantes que ocupavam a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre, a ação ocorreu por volta das 4h15 e terminou com estudantes feridos e quatro detidos.
De acordo com nota divulgada pela entidade estudantil, policiais militares utilizaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes durante a desocupação. O DCE afirma ainda que houve a formação de um “corredor polonês” para agressões físicas contra os estudantes.
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Em nota enviada ao Correio, a USP informou que a Polícia Militar realizou, na manhã deste domingo (10/5), a desocupação do saguão da Reitoria, ocupado por cerca de 150 pessoas desde quinta-feira (7/5). Segundo a universidade, cerca de 50 policiais participaram da ação, que teria sido concluída “sem registro de feridos”. "Toda a ação foi registrada pelas câmeras operacionais portáteis dos policiais, e as imagens serão anexadas aos autos da ocorrência".
A ocupação da Reitoria fazia parte da mobilização de estudantes da USP, da Universidade Estadual de Campinas e da Universidade Estadual Paulista, que estão em greve por reivindicações ligadas à permanência estudantil e à estrutura das universidades públicas paulistas. Entre as demandas estão melhorias na moradia estudantil, alimentação e ampliação de políticas de assistência.
Ainda na nota, o DCE responsabiliza o reitor da USP, Aluísio Segurado, e o chefe de gabinete da universidade, Edmilson Dias de Freitas, pela ação policial. A entidade afirma que a operação ocorreu “sem qualquer determinação judicial” e questiona a realização da desocupação durante a madrugada.
Segundo os estudantes, a ocupação já durava mais de 60 horas e não havia registro de violência antes da entrada da PM. O DCE também questiona a detenção de quatro estudantes e afirma que não houve transparência sobre as acusações atribuídas aos alunos encaminhados ao 7º DP da cidade.
Além disso, o DCE classificou a ação como “um dos episódios mais violentos da história recente” da universidade e acusou a Reitoria de optar pela repressão em vez do diálogo com o movimento estudantil.
A luta continua
Na manhã deste domingo (10/5), estudantes também realizaram um protesto em frente ao 7º DP, em apoio aos alunos detidos durante a desocupação. Segundo o movimento estudantil, os quatro estudantes presos já foram liberados.
Em publicação nas redes sociais, os estudantes afirmaram que “a nossa luta continua” e disseram que irão “dar o recado de que os estudantes não vão aceitar o absurdo que estão vivendo na USP”.
Com isso, eles convocaram um novo ato para esta segunda-feira (11/5). “Dia 11/05, a aula é na rua! Chamamos todos para construir o ato do Cruesp, em frente à Reitoria da Unesp”, diz a convocação divulgada pelos estudantes.
O Outro lado
A USP afirmou ainda que uma vistoria realizada após a desocupação constatou danos ao patrimônio público, entre eles portas de vidro quebradas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada. De acordo com a universidade, também foram apreendidos entorpecentes, facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes no local.
Segundo a nota, quatro pessoas foram encaminhadas ao 7º DP por dano ao patrimônio público e alteração de limites, sendo liberadas após a qualificação. A universidade acrescentou que eventuais denúncias de excesso policial serão apuradas. "Após a qualificação, elas foram liberadas".
"A Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas. O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público", concluiu a nota.
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