CRIME

'Não consegui ver', diz secretário sobre vídeo de estupro coletivo de crianças

Crime foi filmado e exposto nas redes sociais pelos próprios autores. Polícia apreendeu três adolescentes e prendeu um adulto

Com 45 anos de experiência na polícia paulista, o secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves, classificou como sem precedentes a barbárie do estupro coletivo de duas crianças. O crime foi filmado e exposto nas redes sociais pelos próprios autores.

"Não consegui assistir até o fim", admitiu o secretário "É uma cena inesquecível e terrível que me acompanhará por muito tempo". A investigação policial sobre o crime já resultou na apreensão de três adolescentes e na prisão do único adulto do grupo, localizado na Bahia após a fuga. Enquanto as autoridades buscam um último jovem ainda foragido, os envolvidos enfrentam acusações de estupro de vulnerável, corrupção de menores e disseminação de conteúdo de abuso infantil.

Segundo a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, responsável pela investigação, o caso primeiro repercutiu nas redes sociais, mas a ocorrência não tinha sido apresentada na delegacia.

"Assim que tomamos conhecimento, os investigadores saíram a campo, conseguiram localizar as vítimas, porque as vítimas estavam sendo pressionadas para não registrassem o boletim de ocorrência na delegacia. Embora na internet estivesse sendo divulgado os vídeos, a família não havia registrado o boletim."

Janaína afirma que a irmã de uma das vítimas, que não mora mais na comunidade, recebeu os vídeos, reconheceu e levou o caso à delegacia. Mas ela não tinha informações sobre onde e quando os crimes ocorreram.

As famílias foram pressionadas para não acionar a polícia. "A família foi pressionada pela comunidade. Eles queriam resolver entre eles e não queriam que a polícia tomasse conhecimento."

Caso chocou o país

O caso ocorreu em 21 de abril na comunidade de União de Vila Nova, bairro na Subprefeitura de São Miguel Paulista, na zona leste da capital. "A família, por receio, não teve coragem de denunciar. O conselho tutelar e a polícia só tomaram conhecimento em 24 de abril", afirma o subprefeito Divaldo Rosa, em vídeo publicado nas redes sociais. Ele só se pronunciou sobre o caso nesta quinta, 30.

Os agressores gravaram o estupro de vulneráveis e compartilharam as imagens em uma rede social. Em um dos vídeos, de 63 segundos, as crianças choram, gritam e falam ao menos nove vezes "para" e cinco vezes "eu não quero". Enquanto isso, os violadores riem, insistem no ato e agridem as vítimas.

Estadão não conseguiu contato com a defesa dos adolescentes, nem do foragido. A reportagem procurou o Ministério Público e a Defensoria Pública, mas não teve retorno.

*Com informações da Agência Estado

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