VIOLÊNCIA

Doméstica grávida narra desespero durante agressões de patroa no Maranhão

A acusada, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, foi presa em Teresina enquanto tentava fugir da Polícia

Na última semana, um crime hediondo no Maranhão chocou todo o país. Uma mulher, identificada como Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, foi presa após agredir uma empregada doméstica. A vítima, Samara Regina Dutra, 19 anos, está grávida de cinco meses. Em depoimento ao Fantástico, ela contou sobre os momentos de tortura e o medo pelo bebê

“Eu já tinha aceitado que eu não ia sair dali viva”, contou a vítima. Samara trabalhava na casa de Carolina, uma casa em condomínio em Paço do Lumiar (MA), quando foi acusada pela agressora de furtar um anel. Além da patroa, o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, amigo dela, teria participado das agressões e também foi preso. Os dois são investigados por tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura, cárcere privado, injúria, calúnia e difamação. 

Samara conta que a patroa fez com que ela procurasse a joia de 17h a 21h. Então, Carolina contatou o policial para pressionar a vítima. A trama foi revelada pela própria agressora, em áudios vazados.  “Ele disse: ‘Carol, eu não posso ir agora porque eu tô bebendo. E eu já sou doido, se eu for agora é pior. Mas amanhã de manhã, o meu café é aí contigo’”, narrou.

Por volta de 7h, o homem chegou e começaram as cenas de terror, com agressões e ameaças à mão armada. “Falava que, se o anel não aparecesse, eu ia levar um tiro”, conta Samara. A arma também é mencionada nos áudios de Carolina, que afirma que Michel chegou a colocar o revolver na boca da vítima.

“Ele pegou no meu cabelo e me derrubou no chão”, relatou. “Me dava socos na região do pescoço e costas”. Durante mais de uma hora, a maior preocupação de Samara era proteger a barriga por medo de que algo acontecesse com o bebê. 

Ela voltou a procurar o anel, até encontrar o objeto em um cesto de roupas. “Ela pegou, colocou no dedo e, depois disso, ela me bateu”, relembra. 

Nos áudios vazados, Carolina conta que agrediu a mulher até que a mão ficasse doendo: “Ontem (...) eu fui no cesto de roupa suja, eu tirei tudo e nada. Aí na hora que ela abre o cesto de roupa suja, que ela puxa, o anel cai. Ai, gente! Nessa hora... dei tanto nessa mulher! ‘Pensando que é o quê, rapaz? Trabalho minha vida todinha pra conquistar minhas coisas, pra tu vir me roubar?’ Gente, eu dei tanto que minha mão tá inchada. Até hoje o meu dedo já tá roxo. 

As agressões só cessaram quando a criminosa expulsou Samara de casa. A vítima, então, foi ao encontro de uma amiga que mora no condomínio. “Ela não conseguia falar, porque estava chorando bastante. A primeira frase que ela disse foi: ‘Me acusaram de roubo’”, relatou a amiga, que não quis se identificar por razões de segurança. 

A amiga chamou a Polícia, que levou Samara até a casa da acusada. Ela ficou esperando na viatura enquanto os agentes conversavam com Carolina. Uma conversa que durou cerca de três minutos e terminou sem que a agressora fosse levada à delegacia. 

A conduta dos policiais também foi citada por Carolina nos áudios, em que ela afirma que não foi levada porque conhecia um dos agentes. “Veio com um policial que me conhecia. Sorte minha, né? Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, tinha que te conduzir pra delegacia, porque ela tá cheia de hematoma’. Aí eu disse: ‘Era pra ter ficado, era mais, não era nem pra ter saído viva’. Aí ele se acabou de rir”, disse. 

Carolina foi presa na sexta-feira (8/5), em um posto de combustível em Teresina (PI). Segundo a Polícia, ela iria para o litoral piauiense, onde planejava fretar um voo não comercial para o Amazonas. A investigação acredita que ela fugiria com a família para o Paraguai. 

Segundo a então defensora de Carolina, Nathaly Moraes, a empresária teria ido à Teresina para deixar o filho com familiares. Em nota, a advogada afirma que deixou o caso. Tentamos localizar a nova defesa. Em caso de resposta, a matéria será atualizada.

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