DEGRADAÇÃO

Fragmentação da vegetação nativa cresceu 163% em 38 anos

O processo passou de 2,7 milhões de hectares em 1986 para 7,1 milhões em 2023. Os números mostram a vulnerabilidade do solo à degradação

Em quase 40 anos, o processo de degradação fragmentou 7,1 milhões de hectares da vegetação nativa do Brasil. Esse número faz parte de um mapeamento produzido pelo MapBiomas e publicado nesta quarta-feira (13/5).

O estudo mostrou um crescimento de 163% na fragmentação da vegetação. De 2,7 milhões de hectares em 1986, passou para 7,1 milhões em 2023. Atualmente, o Brasil tem 134 milhões de hectares de vegetação nativa suscetíveis.

A fragmentação é o processo em que áreas originalmente contínuas de vegetação nativa são divididas em porções menores e mais isoladas por conta da degradação do solo, pela agropecuária e urbanização, entre outros fatores.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas Dhemerson Conciani, quanto menor o tamanho dos fragmentos, maior a vulnerabilidade à degradação.

“O tamanho dos fragmentos de vegetação nativa tem relação direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente. Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegetação nativa, mais problemas aparecem: aumenta o risco de extinções locais dessas espécies, diminui a chance de recolonização por indivíduos vindos de outros fragmentos vizinhos e maior é a proporção do efeito de borda”, explica.

Biomas mais ameaçados pela fragmentação

Em 1986, a média de tamanho dos fragmentos era de 241 hectares. Em 2023, esse número diminuiu para 77, uma queda de 68%. Além disso, o Pantanal e a Amazônia foram os biomas que tiveram o maior aumento da fragmentação, com 350% e 332%, respectivamente.

Em seguida vêm Pampa, com 285%, Cerrado, com 172%, Caatinga, com 90%, e Mata Atlântica, com 68%.

*Estagiária sob a supervisão de Victor Correia

 

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