A Justiça do Rio de Janeiro retomou nesta segunda-feira (25/5) o julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. A juíza Elizabeth Louro anunciou, no início da sessão, que o julgamento precisaria ser adiado novamente. A decisão foi tomada a pedido de Jairinho após um dos advogados dele, Fabiano Lopes, responsável por liderar a equipe de defesa, sofrer um infarto no último sábado (23).
“A única pessoa que tem condição de inquirir as testemunhas é o doutor Fabiano. Disseram para mim que a equipe dele não poderia tocar esse trabalho. Fica impossível eu ser defendido neste momento, e ele (advogado Lopes) é quem tem o conhecimento dos fatos. O que eu mais queria hoje era começar esse plenário e terminar, mas estou indefeso”, alegou o réu ao pedir o adiamento.
O réu mudou sua postura, no entanto, após ser informado que, em caso de novo julgamento, a Promotoria solicitaria a transferência de Jairinho de Bangu 8 para Bangu 1 — a primeira é voltada para internos com ensino superior e tem menos restrições, já Bangu 1 é voltada para presidiários de alta periculosidade, com solitárias, sem visitas e pouco sol.
Diante disso, Jairinho voltou atrás e Luiz Fernando Abdul Figueiredo dos Santos, filho do réu e que se formou recentemente em direito, assumiu a defesa do pai como advogado principal.
O início do julgamento estava marcado para as 9h de hoje, mas devido ao impasse houve atraso. Por volta das 12h30, o Conselho de Sentença foi sorteado e composto por 5 homens e 2 mulheres. A magistrada reclamou da possível manobra. Segundo ela, o sistema judiciário e todos os que participam do processo seriam tratados como “reféns de Jairinho” depois de mais um pedido de adiamento.
“Estamos mais uma vez diante de uma imposição indeclinável de adiamento do processo do julgamento. E, ao me referir à imposição, pretendo destacar que as inúmeras tentativas de protelar o julgamento deste processo fazem, não só dessa julgadora mas de todos os demais os envolvidos nesse processo, reféns dele”, afirmou.
*Estagiário sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza
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