A medicina brasileira perdeu neste sábado (30) um de seus maiores expoentes com a morte da cirurgiã Angelita Habr-Gama, aos 92 anos,em São Paulo, na manhã deste sábado (30/5). Mundialmente reconhecida por suas inovações na coloproctologia, especialidade focada nas doenças do intestino grosso, reto e ânus, a médica encontrava-se internada desde o dia 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. A instituição confirmou a morte neste domingo (31/5), sem divulgar as causas da morte.
Nascida em 1933 na Ilha de Marajó, no Pará, e filha de imigrantes libaneses, migrou para São Paulo ainda criança e entrou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em 1952. Durante uma carreira que durou seis décadas, ela rompeu barreiras históricas em ambientes majoritariamente masculinos, consolidando-se como a primeira mulher a assumir o cargo de professora titular em uma área cirúrgica da USP.
Na ciência medica, a principal herança deixada pela pesquisadora é a criação e consolidação do protocolo "Watch and Wait". A abordagem representou uma quebra de paradigmas no tratamento de tumores no reto ao demonstrar que pacientes com resposta integral à quimiorradioterapia poderiam preservar o órgão, dispensando intervenções cirúrgicas agressivas e alterando de forma definitiva as diretrizes médicas globais.
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A trajetória acadêmica da cirurgiã resultou na publicação de centenas de artigos científicos indexados e na conquista de mais de cinquenta prêmios no Brasil e no exterior, incluindo a Medalha do Pacificador e o Mérito Santos-Dumont.
Sua relevância a incluiu na lista de mulheres mais influentes do país pela revista Forbes, além de integrar um ranking de 2022 da Universidade Stanford, dos Estados Unidos, que mapeou os 2% de cientistas mais impactantes de todo o mundo.
A profissional também criou a disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da USP, coordenou o programa nacional de prevenção do câncer colorretal da Organização Mundial de Gastroenterologia e fundou a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino.
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Em nota oficial divulgada em conjunto por seu conselho, direção e corpo clínico, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, instituição que Angelita integrava desde o final da década de 1970, lamentou a morte da médica, descrevendo-a como um ícone da docência e expressando profunda consternação com uma perda inestimável para a saúde do país.
