Uma das principais referências culturais da capital paulista, o Theatro Municipal de São Paulo está sob nova administração. Na última segunda-feira (1º/6), o Instituto Baccarelli assumiu a gestão do complexo, em um mandato que deve durar cinco anos. A nova gestora sucede a Sustenidos, que administrava o Theatro desde 2021 e perdeu o chamamento público no último dia 8 de maio para a concorrente.
Na avaliação, realizada por uma comissão especial, o Instituto Bacarelli obteve 75,5 pontos, enquanto a Sustenidos somou apenas 57,5 pontos. De acordo com os critérios do edital, os avaliadores consideraram que a vencedora apresentou "desempenho técnico mais consistente no conjunto dos critérios avaliados", com destaque para a qualificação dos quadros dirigentes e artísticos.
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Já a antiga gestora perdeu pontos por apresentar falhas nos documentos enviados, além de fragilidades na capacidade de execução orçamentária e inconsistências na proposta artística. Outro fator que pesou para a decisão foi a subutilização da Orquestra Sinfônica Municipal, que possui o Theatro como casa oficial.
Ambas as gestoras são organizações sociais sem fins lucrativos voltadas ao fomento da arte e cultura. O Instituto Baccarelli foi fundado há 30 anos e nasceu na favela de Heliópolis, na Zona Sul da capital paulista, como uma instituição que atende, atualmente, 1.650 alunos, oferecendo formação musical como instrumento de inclusão, cidadania e desenvolvimento humano, como eles mesmos se definem.
Ao Correio, o maestro e CEO do Instituto Baccarelli, Edilson Ventureli, disse que o objetivo é ampliar a agenda cultural no complexo do Theatro Municipal, com destaque para os concertos de ópera, além de atrair mais visitantes paulistanos e turistas para o centro da cidade. “Queremos investir na qualidade das produções”, disse o gestor.
Confira a entrevista do Correio ao maestro e CEO do Instituto Baccarelli, Edilson Ventureli:
Quais os principais objetivos do Instituto Baccarelli para esse início de gestão à frente do Theatro Municipal?
Neste início de gestão, nosso principal objetivo é garantir uma transição responsável, transparente e respeitosa com a história do Theatro Municipal de São Paulo. Estamos ouvindo os corpos artísticos, técnicos e administrativos, compreendendo profundamente a estrutura, e vamos iniciar esse trabalho com planejamento, diálogo e compromisso público.
Ao mesmo tempo, chegamos com a experiência de uma organização que, há 30 anos, une excelência artística, de gestão, além de formação e transformação social. Nosso compromisso é fortalecer o Theatro como referência cultural do país, valorizar seus corpos estáveis, ampliar o acesso da população e torná-lo cada vez mais próximo, democrático e conectado à cidade.
Vocês prometem ampliar a agenda cultural no complexo, visto que uma das principais reclamações contra a antiga gestora era a falta de calendário para atrações importantes, como a Orquestra Sinfônica Municipal?
A principal prioridade da nossa gestão será o fortalecimento e a valorização dos corpos artísticos, reconhecendo seu papel fundamental na excelência cultural do Complexo Theatro Municipal de São Paulo. Queremos investir na qualidade das produções, elevando ainda mais o nível dos espetáculos apresentados, ao mesmo tempo em que ampliaremos a programação artística, oferecendo ao público uma agenda mais diversificada, acessível e frequente.
O Theatro Municipal integra o conjunto arquitetônico histórico do centro de São Paulo, que sofreu bastante nos últimos anos com o descaso de má gestão pública e bocas de fumo. A proposta do Baccarelli é, também, contribuir para que os paulistanos possam ter mais orgulho e visitar o centro?
Eu tenho observado um trabalho intenso do governo do estado e da prefeitura para a revitalização do centro histórico da cidade de São Paulo. Acredito que o Complexo Theatro Municipal de São Paulo é um importante instrumento que impulsiona essa melhoria para o local, uma vez que traz a possibilidade de visitação, atraindo o público para o centro.
Nesse sentido, o Baccarelli vai buscar, por meio de uma programação ofertada no Theatro Municipal, ampliar a frequência do público e, com isso, a circulação dos paulistanos na região. Isso trará mais confiança para todos frequentarem o centro da nossa cidade.
São Paulo hoje pode ser considerada uma capital da cultura não só no Brasil, mas no mundo? O que ainda falta para atrair mais estrangeiros?
São Paulo já é, sem dúvida, a grande capital cultural do Brasil. A cidade reúne uma diversidade artística, com instituições de excelência, uma produção cultural vibrante e uma agenda que dialoga com diferentes públicos e linguagens.
O que posso garantir é que o Baccarelli, à frente do Theatro Municipal de São Paulo, trabalhará incansavelmente para oferecer uma programação artística — principalmente no campo da ópera — que seja atrativa e instigue pessoas de outras cidades, e até de outros países, a visitarem São Paulo e o Theatro Municipal.
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