AdaptaSUS

Aquecimento global já provoca impactos diretos na saúde da população, diz Padilha

Plano do Ministério da Saúde para adaptar o SUS fortalece o monitoramento climático e prevê investimentos para preparar o sistema diante de eventos extremos

Ao anunciar novas medidas do programa AdaptaSUS voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) diante das mudanças climáticas, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o aquecimento global já provoca impactos diretos na saúde da população e exige planejamento para reduzir riscos. Entre as iniciativas estão a criação de um painel permanente de especialistas, ampliação dos centros de monitoramento, fortalecimento da Força Nacional do SUS, construção de cisternas no semiárido e adoção de protocolos para enfrentar ondas de calor.

Durante o anúncio, Padilha citou estudos da Fiocruz que projetam cerca de 120 mil mortes relacionadas ao aumento da temperatura média nos últimos 20 anos. Também destacou pesquisas que associam o calor ao crescimento dos casos de prematuridade e ao aumento da morbidade materna. “A crise climática é, antes de mais nada, uma crise de saúde pública”, afirmou.

Ainda segundo o ministro, mais de 80 instituições e países aderiram ao Plano de Ação Belém, lançado durante a COP30, que busca fortalecer a adaptação dos serviços de saúde aos efeitos das mudanças climáticas.

El Niño

O ministro anunciou ainda a criação de um painel permanente de especialistas em saúde e clima para orientar decisões e antecipar impactos, especialmente relacionados ao fenômeno El Niño. Também serão ampliados os Centros Integrados Saúde-Clima, que cruzam dados meteorológicos e informações dos serviços de saúde para melhorar o planejamento das unidades. Além disso, o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) atingiu 197 projetos, o maior número desde sua criação, reunindo universidades e gestores no desenvolvimento de soluções adaptadas às diferentes regiões do país.

Outra medida anunciada hoje prevê a ampliação das bases regionais da Força Nacional do SUS, aumentando em cerca de 20 vezes a capacidade de resposta em situações de emergência. 

O ministério também confirmou investimento de R$ 250 milhões para instalação de cisternas no semiárido, com 3.488 unidades previstas no Ceará, além da adoção nacional do protocolo de enfrentamento ao calor extremo desenvolvido no Rio de Janeiro, com orientações voltadas principalmente à proteção de idosos e crianças. “O calor extremo pode alterar o efeito de medicamentos de uso contínuo, por isso é fundamental preparar os serviços de saúde”, destacou Alexandre Padilha.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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