
A viúva do policial Danilo Lopes Negrão, que morreu após contrair um vício em apostas esportivas, disse que não teve tempo para viver o luto pela morte do marido, pois precisou lidar com cobranças de dívidas de quase R$1 milhão feitas por ele.
Nas redes sociais, Raquel Maria de Oliveira Negrão postou um vídeo relatando o drama da família por causa da ludopatia. “Eu vivi um inferno, porque não tive tempo de sofrer o luto. Muita gente próxima veio e falou: 'O Danilo deixou uma dívida comigo, eu queria ver como é que você vai fazer para pagar'. Muita gente veio me cobrar, alguns me levaram à Justiça”, desabafou.
Em entrevista ao g1, Raquel conta que só descobriu o tamanho das dívidas depois da morte do marido. Segundo ela, Danilo pegou dinheiro emprestado com bancos, amigos, agiotas e mantinha uma planilha no computador com nomes e valores.
“Todos emprestavam, porque ele era muito honesto, então ninguém imaginava o que ele estava passando”, contou. Danilo Negrão morreu aos 41 anos, em setembro de 2023, deixando a esposa e uma filha.
Raquel ainda vive os impactos financeiros mesmo quase três anos após a morte de Danilo. Por causa de processos judiciais, a casa da família não pode ser vendida
Ela conta que decidiu compartilhar a história da família no dia do jogo do Brasil, na última quarta-feira, dia 24, pois o marido começou a apostar durante a Copa do Mundo de 2022. “Ele começou a ganhando, depois perdeu muito dinheiro. O que ele ganhava, ele já jogava de imediato”, declarou. Segundo ela, Danilo passou a pedir dinheiro emprestado e contou à família o que estava acontecendo. “Todo mundo acolheu ele. A gente tentou de alguma forma ajudar ele a sair desse vício”, disse.
Segundo ela, a família teve uma conversa com o policial e pediu que ele procurasse ajuda profissional depois que perdeu uma grande quantia na derrota do Brasil para a Croácia, que eliminou a Seleção Brasileira do campeonato.
Ela diz que o marido apresentava sinais de ansiedade e depressão durante o período em que acumulava dívidas. A família chegou a levá-lo a médicos e a tratamento psiquiátrico, mas, segundo ela, a ajuda não foi suficiente. Ela descobriu que o marido faltava às consultas e nunca chegou a receber um diagnóstico, pois não relatou o vício aos médicos. “Ele mentia que estava fazendo as terapias”, disse ela.
No vídeo, Raquel diz que compartilhar a história da família é uma forma de tentar impedir que outros entrem no mesmo ciclo e alertar aqueles que podem estar enfrentando o mesmo problema. "Não joguem. Não joguem pouco, não joguem muito, não joguem nada. Esse jogo não vai te levar para lugar nenhum", disse.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas com sinais de compulsão, ou familiares, procurem ajuda especializada.
Desde 2015 , a legislação determina que as plataformas legalizadas, com autorização do Ministério da Fazenda para funcionar no Brasil, tenham uma ferramenta de autoexclusão, que permite que o usuário bloqueie o próprio acesso.
Em dezembro do ano passado, o Ministério da Fazenda lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, pela qual o CPF da pessoa pode ser bloqueado em todos os sites de apostas. Para procurar ajuda, o cidadão pode acessar o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, elaborado pelo Ministério da Saúde.

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