
"Queria dinheiro para curtir a vida". Essa foi uma das declarações da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, à Polícia Civil (PCMG), na noite dessa quarta-feira (1º/7). Ela confessou o assassinato do casal de idosos, encontrado no apartamento onde moravam no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, nessa terça (30/6).
A mulher foi detida em um hotel em Itabira, na Região Central de Minas. Segundo a diarista, apesar de já ter quitado uma dívida de R$ 40 mil com agiotas em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH, queria dinheiro para "curtir a vida".
De acordo com a corporação, Paola também afirmou ser viciada em jogos de azar, compradora compulsiva e acumuladora de roupas femininas.
A investigação aponta que ela levou R$ 18 mil, além de joias e relógios do apartamento. Parte do dinheiro obtido com a venda dos bens já foi recuperada.
Como o crime aconteceu
Durante o depoimento, a diarista declarou que foi ao apartamento para realizar um serviço de limpeza e que não havia planejado matar as vítimas antes de chegar ao imóvel. Segundo ela, a decisão de furtar os bens ocorreu ao encontrar joias, relógios e dinheiro durante a limpeza.
A investigada relatou ainda que o plano inicial era dopar o casal para facilitar o ato. Para isso, colocou quatro comprimidos de um medicamento de uso controlado, utilizado por ela no tratamento da depressão, em um suco preparado no liquidificador. Conforme o delegado, cerca de 30 ou 40 minutos depois, as vítimas começaram a adormecer. Durante a prisão, a Polícia Civil apreendeu aproximadamente 50 comprimidos na bolsa da suspeita.
Segundo a confissão, enquanto recolhia os objetos de valor, Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, acordou e percebeu o furto. Paola afirmou que pegou uma faca na cozinha para ameaçá-lo, mas o idoso tentou reagir e acabou sendo atacado. Ela disse não saber quantos golpes desferiu, porém a perícia ressaltou ter sido mais de 40 perfurações.
Sobre Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, a suspeita declarou que a vítima ainda estava sonolenta por causa do medicamento quando também foi morta. Em depoimento, voltou a dizer que ouvia "vozes" a orientando a assassinar o casal.
Após o crime, segundo a Polícia Civil, a diarista limpou o local, trocou de roupa, vestindo peças pertencentes a uma das vítimas, lavou a faca utilizada e deixou o apartamento levando dinheiro, joias e relógios.
*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata
