CB.Agro

Para presidente da ABH, falta hortaliça no prato do brasileiro

Warley Nascimento aponta que falta de hábito e alto custo da produção, encarecendo os alimentos, contribuem para baixo consumo dos vegetais

Consumo de vegetais é três vezes menor do que o recomendado
 -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Consumo de vegetais é três vezes menor do que o recomendado - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH) e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Hortaliças, Warley Nascimento, alertou ontem que o consumo de legumes e verduras pelos brasileiros ainda é muito baixo, influenciado pela falta de hábito e pelo alto custo dos alimentos.

Ele participou do CB.Agro — uma parceria entre o Correio e TV Brasília — em conversa com os jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Roberto Fonseca.

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"O consumo do brasileiro é baixo comparado ao de outros países. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que preconiza de 400 a 500 gramas de hortaliças e frutas diariamente por pessoa, o nosso número é de apenas um terço disso. Estamos consumindo cada vez menos hortaliças", revelou.

"Como consequência, estamos mais obesos, diabéticos e hipertensos. Isso, por outro lado, em termos de saúde, é ruim para nós consumidores, e também estamos lotando os hospitais com essas doenças crônicas", emendou o convidado.

Embora cite a "correria e falta de tempo" como fatores que influenciam na alimentação, Nascimento conta que há uma preocupação com o custo da produção, já que insumos como adubos, fertilizantes e a mão de obra estão "caríssimos". Há ainda uma preocupação com o impacto da crise do petróleo na operação de máquinas e na comercialização.

"Tudo isso afeta o custo de produção e, obviamente, afeta o preço na colheita, no atacado e, por fim, no varejo. E aí, apenas um parêntese: temos que falar também de uma margem de lucro do supermercado que, na maioria das vezes e em alguns estabelecimentos, é alta. O produtor vende o produto a R$ 1 e o supermercado vende a R$ 3, R$ 4 ou R$ 5. Tudo isso faz com que o produto final fique mais caro", afirmou.

Para ele, os produtos ultraprocessados têm tido um marketing muito agressivo nas propagandas, no YouTube e na internet. O pesquisador conta que tanto a Embrapa quanto a ABH têm trabalhado nessa alimentação mais saudável, focando no público infantil.

Segundo Nascimento, o setor de hortaliça quer que o consumidor consuma mais para ficar mais saudável e, com isso, impulsione toda a cadeia, fazendo o produtor vender mais e a região se desenvolver. Porém os produtores pequenos enfrentam taxas que se aplicam aos grandes agricultores.

"Não pode haver a mesma taxa de juros para um grande produtor e para um pequeno produtor que está pagando 15%, 20% ou 25% de juros para produzir um alimento de qualidade", enfatizou.

Brasília sediou, nesta semana, o Congresso Brasileiro de Olericultura, organizado pela ABH. Segundo o presidente da associação, o principal tópico debatido foi a agricultura familiar frente às mudanças climáticas.

Impacto do clima

De acordo com o especialista, os eventos extremos de mudança climática prejudicam muito a produção, especialmente os pequenos produtores e agricultores da agricultura familiar, que, na maioria das vezes, não têm acesso a tecnologia nem recursos. 

Nascimento destaca preocupação com um super El Niño a partir do segundo semestre deste ano. Ele conta que congresso teve um painel específico sobre isso, com a presença de professores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, além de colegas da região. 

"Já começou. O Sul já está com chuvas intensas e baixas temperaturas. Isso é muito problemático para essas hortaliças. Pensando em hortaliças folhosas, por exemplo, um dia de frio queima, e perde-se quase tudo. Então, o produtor tem que tomar alguma precaução", alerta.

Para o entrevistado, uma das preocupações com os efeitos do clima é a falta de acesso, principalmente do pequeno e médio produtor, ao seguro rural. Ele destaca que a Embrapa possui programas para auxiliar o agricultor, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). 

De acordo com o entrevistado, o Distrito Federal é uma região bastante interessante para a produção de hortaliças, por conta do clima e da altitude. Por isso, é possível incentivar o consumo desses alimentos na capital e criar hábitos mais saudáveis, especialmente para as crianças, nas escolas. 

"Essa diversificação é um papel importante das merendeiras, porque às vezes você não gosta de couve, mas, em um suco verde, ela se torna mais interessante", finalizou.

Assista ao programa na íntegra:

*Estagiário sob a supervisão de Victor Correia

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CY
postado em 25/07/2026 03:55
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