Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos é procurada pela Polícia Civil por suspeita de envolvimento na morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. O casal foi encontrado morto dentro do apartamento onde morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, nessa terça-feira (30/6).
Segundo as investigações, a mulher é apontada como a principal suspeita do crime. Ela havia sido indicada para trabalhar na residência por um parente da família. O caso é tratado como latrocínio, roubo seguido de morte.
Imagens do circuito interno de segurança mostram que a suspeita entrou no prédio por volta das 7h30 de segunda-feira (29/6), carregando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, às 15h30, ela deixou o edifício usando roupas diferentes e levando duas sacolas grandes, além da bolsa.
A mulher também reuniu os próprios pertences e os do filho e deixou a casa dos familiares onde morava, em Ribeirão das Neves.
Inicialmente, ela informou que viajaria para o Espírito Santo. Depois, teria dito que ficaria hospedada em um hotel. Desde então, não foi mais localizada. A Polícia Civil também investiga se ela recebeu ajuda para fugir após o crime.
Família ajudou a quitar dívidas com apostas
Segundo familiares, a mulher enfrentou dificuldades financeiras após acumular dívidas relacionadas a apostas online. A mãe contou que parentes chegaram a fazer empréstimos para ajudá-la e quitar débitos que, segundo ela, chegaram a aproximadamente R$ 40 mil.
Em entrevista, a mãe afirmou que deseja que toda a verdade venha à tona e que, caso a participação da filha seja comprovada, ela responda pelos próprios atos. Segundo ela, a família também vem sofrendo com a repercussão do caso e chegou a receber ameaças.
"Quero ver a verdade, gente. Doa a quem doer. Se a minha filha tiver errado, ela vai pagar pelo erro dela. E quem estiver por trás também vai ter que pagar."
A mãe disse acreditar que outras pessoas possam estar envolvidas no caso e afirmou não conseguir imaginar a filha cometendo o crime sozinha.
"Nós da família inteira pagamos agiota, tudo que eles cobraram dela. Fizemos empréstimo no banco, a família toda fez e pagou. Eu acredito que ela foi usada. Tem pessoas atrás disso. E são pessoas perigosas."
Ela contou ainda que a filha estava trabalhando, pagando as dívidas e tentando reorganizar a vida após os problemas financeiros.
A mãe conta que no domingo anterior ao desaparecimento, a filha afirmou que havia parado de apostar e que teria cadastrado o CPF em sistemas de bloqueio para impedir novos acessos a plataformas de jogos.
A familiar também relatou que a filha demonstrava sinais de desgaste emocional e comentou sobre a intenção de fazer uma viagem para descansar.
"Ela chegou perto de mim e falou: 'Mãe, estou querendo fazer uma viagem porque estou muito cansada. Estou muito sufocada'."
De acordo com a mãe, a filha disse que pretendia passar alguns dias fora e chegou a cogitar visitar o pai, que mora no Rio Grande do Sul. Ela também pediu que a família cuidasse do filho durante esse período caso a viagem acontecesse.
Última despedida foi marcada por choro
De acordo com a tia da suspeita, o último contato aconteceu na noite anterior ao desaparecimento. Segundo ela, percebeu uma movimentação diferente no quarto onde a sobrinha morava com o filho, mas não desconfiou de nada porque estava concentrada nos cuidados com a própria mãe, que é acamada.
Na manhã seguinte, a mulher se despediu da família chorando.
"A única coisa de que me lembro é que ela entrou na casa chorando e disse: 'Gente, estou indo'. Eu perguntei para onde ela estava indo com o menino e questionei sobre a escola."
Segundo a tia, a sobrinha respondeu que o filho de 6 anos estava afastado da escola por 15 dias e que depois entraria em contato com a família.
A familiar contou ainda que a mulher já havia comentado sobre uma possível viagem e chegou a dizer que poderia passar um período sem manter contato.
Inicialmente, os parentes não estranharam a saída, já que ela costumava viajar ocasionalmente. O que chamou a atenção foi o desaparecimento repentino e a troca do número de telefone. "Ela não passou o novo contato para ninguém da família. Hoje nós não temos nenhuma forma de contato com ela."
Preocupada, a tia começou a procurar pela sobrinha e entrou em contato com pessoas próximas para tentar descobrir onde ela estava. Foi nesse momento que soube que a mulher não havia comparecido ao trabalho.
Investigação causou choque na família
A notícia de que a mulher passou a ser investigada pela morte do casal foi recebida com surpresa pelos familiares.
"Foi por meio de uma ligação. Eu estava fora de casa quando recebi a notícia. Fiquei sem condições até de dirigir naquele momento. Foi um choque enorme para todos nós."
Mesmo diante da repercussão do caso, a tia afirmou que a família não pretende minimizar o ocorrido nem se colocar como vítima.
"As vítimas são as pessoas que perderam a vida de forma brutal e inexplicável. Mas isso não significa que não estejamos sofrendo também."
Ela também ressaltou que não defende qualquer ato de violência e que, caso a participação da sobrinha seja comprovada, espera que ela responda pelos próprios atos, "de maneira alguma estou defendendo o que ela fez, se realmente for comprovado que foi ela. Até o momento, ela ainda é suspeita. Se ficar comprovado, eu só espero que apareça e responda pelos atos dela."
"As escolhas são individuais"
A tia reconhece que a família poderá ser julgada pela opinião pública, mas afirma que cada pessoa é responsável pelos próprios atos.
"Sabemos que vamos ser julgados e apontados, mas as escolhas de vida são individuais."
De acordo com a tia, a sobrinha passava mais tempo no quarto e havia comentários de que estaria utilizando medicamentos para dormir, embora ela não soubesse informar quais remédios nem em que quantidade.
Sem notícias desde que deixou a residência com o filho, os familiares fazem um apelo para que ela entre em contato.
"Independentemente do que tenha acontecido, ela precisa dar algum sinal. Precisa dar uma notícia, dizer onde está e o que está acontecendo. Nós estamos muito preocupados."
Velório e sepultamento das vítimas
Os corpos de Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio foram liberados para a família nesta quarta-feira (1º).
O velório está marcado para as 16h e o sepultamento para as 17h, no Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, em Belo Horizonte.
