Suspeita de matar um casal de idosos dentro de um apartamento no bairro São Pedro, na região centro-sul de Belo Horizonte, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, foi presa da madrugada desta quinta-feira (2/6), em Itabira, na região central do estado. Ela foi encontrada no It Itabira Hotel. A informação foi confirmada pela Polícia Civil, que agora apura a motivação do duplo homicídio e a dinâmica do crime.
Os corpos de Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foram encontrados nesta terça-feira (30/6) dentro do apartamento do casal, localizado na Rua Padre Severino. Segundo informações preliminares, ambos apresentavam ferimentos provocados por facadas, principalmente no tórax. O caso é tratado como latrocínio, roubo seguido de morte. De acordo com a Polícia Militar, não havia sinais aparentes de arrombamento, mas alguns objetos teriam desaparecido do imóvel.
O último contato da família com o casal ocorreu na segunda-feira (29/6). Os corpos foram encontrados por um dos filhos do casal, que decidiu ir até o apartamento depois que que estranhou a ausência do pai no escritório de advocacia, onde ambos trabalhavam.
De acordo com a investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, após cometer o crime, a mulher tomou banho, lavou a faca com a qual atacou o casal e ainda saiu do imovel trajando roupas de Maria Clotilde.
A PCMG identificou diferentes facas no interior do apartamento e acredita que uma delas foi aquela que a suspeita empunhou. "Ela não saiu do condomínio com nenhuma faca", relatou o delegado Felipe Freitas, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) da PCMG. "Então, a gente acredita que essa faca é uma da própria casa, mas todas as facas que estavam na casa, estavam lavadas", complementa.
Imagens do circuito interno de segurança mostram que a suspeita entrou no prédio por volta das 7h30 de segunda-feira (29/6), carregando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, às 15h30, ela deixou o edifício usando roupas diferentes e levando duas sacolas grandes, além da bolsa. A investigação indica que ela saiu portando pertences das vítimas, como celulares, jóias e relógios.
Na quarta-feira (1º/7), a PCMG localizou em uma caçamba de lixo a roupa que a diarista trajava quando chegou ao edifício manchada de sangue, o que indica o uso no momento do crime, além de uma sacola e de caixas de relógios que eram de propriedade das vitimas.
Os celulares dos idosos também foram encontrados, mas em outro local: eles estavam em um lote vago em Vespasiano, na Grande BH, enrolados em papel-alumínio, para dificultar o rastreamento. A hipótese levantada pela PCMG é que os dois aparelhos teriam sido adquiridos por um receptador que, ao se dar conta da repercussão causada pelo crime, decidiu descartá-los. Esses objetos, assim como os demais itens subtraídos do apartamento, teriam sido negociados pela suspeita.
Depois de sair da cena do crime e de vender os objetos das vítimas, a mulher teria passado na própria casa, reunido os próprios pertences e os do filho e deixou a casa dos familiares onde morava, em Ribeirão das Neves. Inicialmente, ela informou que viajaria para o Espírito Santo. Depois, teria dito que ficaria hospedada em um hotel.
A PCMG já questionou familiares, que afirmaram que ela teria uma dívida de aproximadamente R$ 40 mil com um agiota e teria comentado que "fez uma besteira".
Dívidas e motivação
Segundo familiares, Paola enfrentava dificuldades financeiras após acumular dívidas relacionadas a apostas online. A mãe contou que parentes chegaram a fazer empréstimos para ajudá-la e quitar débitos que, segundo ela, chegaram a aproximadamente R$40 mil.
"Era o jogo do Tigrinho. Isso já tem cerca de um ano. A família precisou ajudar. Fizemos empréstimos em banco, meu cunhado ajudou, meus irmãos também. Todo mundo fez empréstimo para ajudar ela", contou a mãe da suspeita.
Em entrevista ao Estado de Minas, a mãe disse acreditar que outras pessoas possam estar envolvidas no caso e afirmou não conseguir imaginar a filha cometendo o crime sozinha. "Nós da família inteira pagamos agiota, tudo que eles cobraram dela. Fizemos empréstimo no banco, a família toda fez e pagou. Eu acredito que ela foi usada. Tem pessoas atrás disso. E são pessoas perigosas."
Ela conta que a filha estava trabalhando, pagando as dívidas e tentando reorganizar a vida, e afirma que no domingo anterior, Paola disse que havia parado de apostar e que teria cadastrado o CPF em sistemas de bloqueio para impedir novos acessos a plataformas de jogos.
Ela ressaltou que deseja que toda verdade venha à tona e que, caso a participação da filha seja comprovada, ela responda pelos próprios atos. Segundo ela, a família também vem sofrendo com a repercussão do caso e chegou a receber ameaças. "Quero ver a verdade, gente. Doa a quem doer. Se a minha filha tiver errado, ela vai pagar pelo erro dela. E quem estiver por trás também vai ter que pagar."
A familiar também relatou que a filha demonstrava sinais de desgaste emocional e comentou sobre a intenção de fazer uma viagem para descansar. Inicialmente, os parentes não estranharam a saída, já que ela costumava viajar ocasionalmente. O que chamou a atenção foi o desaparecimento repentino e a troca do número de telefone. "Ela não passou o novo contato para ninguém da família. Hoje nós não temos nenhuma forma de contato com ela”, disse a tia da suspeita.
Preocupada, a tia começou a procurar pela sobrinha e entrou em contato com pessoas próximas para tentar descobrir onde ela estava. A notícia de que Paola passou a ser investigada pela morte do casal foi recebida com surpresa pelos familiares. "Foi por meio de uma ligação. Eu estava fora de casa quando recebi a notícia. Fiquei sem condições até de dirigir naquele momento. Foi um choque enorme para todos nós."
A tia afirmou, assim como a mãe da suspeita, que não pretende minimizar o ocorrido e nem se colocar como vítima, e disse que não defende qualquer ato de violência e espera que a sobrinha responda pelos próprios atos.
O chefe do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri) classificou como "grotesca" a cena do crime: "muito sangue pela casa afora; foi de uma extrema barbárie e violência a forma como os dois idosos foram assassinados", declarou. De acordo com o delegado, a cena do assassinato demonstra "o quão intencionada essa autora estava em ceifar a vida dos dois, para poder praticar a subtração".
* Com informações do Estado de Minas
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