Entre as questões que precisam ser solucionadas para esclarecer a dinâmica do assassinato do casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, está a possibilidade de a principal suspeita, uma diarista que trabalhou para o casal no dia do crime, ter contado com a ajuda de um ou mais cúmplices. O veículo no qual ela deixou a cena do crime é uma peça-chave nesse quebra-cabeça: o embarque dela no carro foi registrado por câmeras de vigilância.
No momento, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) não revela a marca, o modelo e a placa do veículo. Em uma coletiva concedida nesta quarta-feira (1/7), o delegado Felipe Freitas, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), limitou-se a dizer que se tratava de um "carro de alto padrão".
O caso é que o comportamento do motorista chamou a atenção dos investigadores. "A gente vai investigar, também, qual a participação dessa pessoa que foi lá e buscou ela. Porque, pelas investigações, a pessoa ficou lá esperando ela um bom tempo", declarou Freitas. "Em um primeiro momento, a gente chegou a cogitar que talvez pudesse ser até um motorista de aplicativo, ou alguma coisa assim, mas ele fica mais de 15 minutos esperando por ela lá", acrescentou.
Coincidência ou não, o veículo estava estrategicamente estacionado perto de uma caçamba de entulho, posicionada nas proximidades do imóvel onde ocorreu o duplo homicídio. A suspeita usou o recipiente para descartar uma blusa manchada de sangue, que ela estaria vestindo no momento do crime, além de uma sacola e de caixas de relógios que eram de propriedade das vítimas. Tais objetos foram encontrados pela PCMG: assista ao vídeo!
Os investigadores afirmam já ter identificado a suspeita e, agora, procuram por ela: um mandado de prisão preventiva já foi solicitado à Justiça. Na entrevista, os representantes da PCMG comunicaram que ela não tem ficha criminal, mas é citada em alguns boletins de ocorrência. "É uma pessoa emocionalmente bem instável: teria quadro de depressão", ponderou o chefe do Depatri.
Entenda o caso
Os corpos de Cláudio e Maria Clotilde foram encontrados nessa terça-feira (30/6) dentro do apartamento em que eles viviam, localizado na Rua Padre Severino, no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A PCMG acredita que eles foram mortos entre as 12h30 e as 15h de segunda-feira (29/6).
O corpo de Cláudio apresentava 17 ferimentos compatíveis com facadas, enquanto o de Maria Clotilde tinha sete perfurações. O chefe do Depatri classificou como "grotesca" a cena do crime: "muito sangue pela casa afora; foi de uma extrema barbárie e violência a forma como os dois idosos foram assassinados", declarou.
